Espaços urbanos

Espaços urbanos
Catedral em festa - foto Renato F. Thomsen

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cachoeira em 1912

         No dia 1.º de janeiro de 1912 foi inaugurada a luz elétrica em Cachoeira, sendo a força fornecida pelo motor da firma Aydos, Neves & Cia., proprietária do Grande Engenho Central, localizado na margem esquerda do Jacuí.
Grande Engenho Central, de Aydos, Neves & Cia.

         Durante todo o dia choveu fortemente, com pequenas interrupções, e à noite parou o aguaceiro, havendo muito movimento de povo na Rua Sete de Setembro, que tem a melhor iluminação, constante então de duas lâmpadas da força de 400 e 500 velas em cada quadra. As outras ruas eram iluminadas com lâmpadas de 16 a 32 velas.
Rua 7 de Setembro - vê-se, à direita, poste de luz elétrica

         Fonte: Jornal O Comércio, edição de 10/1/1912.
         Imagens: fototeca do Museu Municipal 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O último palácio dos sonhos

            Os cachoeirenses tiveram, ao longo de sua história, muitas casas de cinema. Mas o interessante é que, dentre elas, duas construíram palácios para abrigar as sensações da sétima arte e, coincidentemente, as duas em estilo art-dèco: o Cine Teatro Coliseu, inaugurado em 17 de fevereiro de 1938, e o Cine Ópera Astral, inaugurado no dia 29 de janeiro de 1953.

            O Cine Ópera Astral funcionou 50 anos. Pelo seu imponente prédio desfilaram milhares de pessoas atraídas pelas exibições cinematográficas e de outros gêneros, como o show do pianista Ray Charles.
            Precisamente em 29 de janeiro de 1953, às 15 horas, o projetor Gaumont Kalee 20, produzido pela Organização J. Arthur Rank, de Londres, o quarto então a ser instalado no Brasil, inaugurou a tela do Cine Ópera Astral com a exibição da comédia romântica Vênus Moderna, da Columbia Pictures.
            A construção do prédio teve início em 1951, quando Carlos Alfredo Müller, Armindo Adolfo Hoerbe e os irmãos Adalberto Walter e Arno Emílio Schramm associaram-se para fundar uma casa de cinema que atendesse à zona alta da cidade. O engenheiro Hugo Schreiner elaborou o projeto do prédio, contando com a colaboração do desenhista Germano Wolff. A construção coube à firma Jacob Bauer.
O engenheiro Hugo Schreiner supervisiona as obras

O prédio sendo erguido - 18/12/1951

            As linhas do prédio, os motivos geométricos, a cobertura das paredes externas em cirex e as sacadas arredondadas são características típicas do estilo art-dèco, movimento arquitetônico de pronunciado uso entre as décadas de 1920 e 1940 e que fez escola em Cachoeira até a década de 1950, como prova o Cine Ópera Astral.
Os detalhes do estilo surgem - 6/3/1952 
Os empreendedores e diretores do Cine Ópera Astral

            O Astral possuía 1.060 lugares distribuídos entre a plateia e a galeria e ganhou sobrevida em suas funções como casa de cinema graças ao Clube de Cinema, criado em 1997 pelos cinéfilos cachoeirenses, amantes da sétima arte que se recusavam a perder o “último palácio dos sonhos”.
            Importante ressaltar, na longa história do Cine Ópera Astral, o trabalho incansável do técnico-eletricista Ruben Prass, cuja engenhosidade e inteligência não permitiam que os problemas do projetor inviabilizassem as sessões.
Mas o palácio não resistiu. Fechou suas portas à arte, abrindo-as, mutilado, para mais um empreendimento comercial igual a tantos que imperam por aí, símbolo dos rumos consumistas da sociedade moderna...
Agradecimentos a Elizabeth Thomsen (apaixonada pelos nossos cines art-dèco) pelas fotos e registros desta história.

Cachoeira em 1912

                O município de Cachoeira possuía em 1912 45.000 habitantes, sendo o terceiro em população no Rio Grande do Sul.

Vista da cidade no início dos anos 1900 - fototeca Museu Municipal
                Os seus principais núcleos coloniais eram São Miguel, Dona Francisca, Ribeirão, Soturno, Vale Vêneto, Trombudo, Geringonça, São José de Polêsine, Agudo, Picada do Rio, Paraíso, Pau-a-Pique, Pinhal, Rincão do Inferno, Rincão da Porta, Cortado, Botucaraí, Cerro Branco e Taboão.
                Fonte: Jornal O Comércio, edição de 8/5/1912.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Aurélio Porto - historiador de Cachoeira

            Um dos grandes historiadores rio-grandenses e um dos mais respeitados da historiografia brasileira, Afonso Aurélio Porto nasceu em Cachoeira em 25 de janeiro de 1879.


            Cachoeira deve a ele os primeiros levantamentos, assim como as primeiras publicações de sua história. Funcionário da Intendência de Cachoeira, Aurélio Porto começou a organizar, em 1910, o Arquivo Público do Município. Identificou e registrou os primeiros atos administrativos desde a criação da Vila Nova de São João da Cachoeira.
            Mas Aurélio Porto não se resumia ao ofício de historiador, embora a história tenha sido motivação para outras atividades: genealogista, teatrólogo, ensaísta e jornalista. Sua profissão, funcionário público, favorecia sobremaneira este ofício, uma vez que trabalhou por muitos anos no Arquivo Nacional. Também foi jornalista, tendo atuado como redator dos jornais O Progresso, de Rosário, A Fronteira, de Quaraí, O Estado, de Santa Maria, o Rio Grande, de Cachoeira, A Federação, Petit Journal e Jornal da Manhã, de Porto Alegre, O Combate e A Manhã, do Rio de Janeiro. Quando faleceu, em 11 de setembro de 1945, era redator-chefe dos Anais do Itamarati. Aurélio Porto também colaborou com diversas publicações econômicas, políticas e culturais, tendo sido membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e da Academia Rio-Grandense de Letras. Foi membro efetivo ainda do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
            Membro do Partido Republicano Rio-Grandense, foi intendente de Montenegro e Garibaldi.
Era filho de Júlio Gomes Porto e Amélia Guedes da Luz. Com a esposa Izaura Martins Porto teve seis filhos.
Dentre suas várias obras: o milagre, peça dramática (1906), município de cachoeira, história e estatística (1910), pátria, drama  nacionalista (1918), a conquista das missões (1921), epopeia dos farrapos, poema (1922), o tesouro do arroio do conde, novela (1933), o trabalho alemão no rio grande do sul,  monografia (1934) e muitas outras de relevância histórica e literária.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O escritor Coelho Neto visita Cachoeira

Chegou em Cachoeira, pelas 11 horas da manhã de 22 de janeiro de 1907, o literato Henrique Maximiano Coelho Neto.


Segundo noticiou o jornal O Comércio, em várias edições daquele início de 1907, o escritor foi recebido na gare da estação por uma comissão composta pelas mais altas autoridades, dentre as quais o Cel. Isidoro Neves da Fontoura, o deputado Antônio Antunes de Araújo e o acadêmico João Neves da Fontoura, e por um grupo de senhoritas que lançou sobre ele uma chuva de confetes.

Gare da Estação Ferroviária
  
Coelho Neto desembarcou ao som da banda do maestro Roberto Silva, dirigindo-se à casa de José Gomes de Oliveira, na Rua Saldanha Marinho, onde foi hospedado. Ao entrar na casa, vislumbrou um escudo em que se lia, em letras douradas, Salve, Coelho Neto!, sendo saudado por uma apresentação musical com as cordas da orquestra de Venâncio Trindade.
Após um ligeiro descanso do visitante, foi servido um lauto almoço para 12 talheres. À noite, houve um sarau literário no Clube Caixeiral e, no dia seguinte, Coelho Neto foi recebido por Henrique Pearson na Charqueada do Paredão.

Charqueada do Paredão
Quando voltou da Charqueada, o escritor foi visitado por Augusto Brandão e sua esposa Cândida Fortes Brandão. Recebeu como presente, das mãos de Augusto, uma caneta de ouro em estojo de cetim azul para servi-lo quando fosse escrever sobre Cachoeira. Das mãos de Cândida, recebeu um cartão simbólico em que estava impresso, em letras douradas, o seu soneto Vidente, juntamente com um volume de seu Fantasia.

Cândida Fortes Brandão
Coelho Neto era considerado o Príncipe dos Prosadores Brasileiros, título que lhe foi outorgado por uma votação promovida entre os leitores da revista O Malho em 1928.
De sua biografia é interessante destacar que era filho de um português com uma índia. Casou-se em 1890 com Maria Gabriela Brandão, com quem teve 14 filhos.
Sua extensa obra literária foi muito lida e não se prendia a um só gênero. Coelho Neto foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Imagens de Cachoeira: fototeca Museu Municipal

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

16 de janeiro de 1833 - entrega da chave do Cemitério ao Vigário

            A ata da sessão da Câmara Municipal realizada no dia 16 de janeiro de 1833, assinada pelos vereadores Manoel Álvares dos Santos Pessoa e José Pereira da Silva, registra o recebimento do ofício nº 37, encaminhado pelo Vigário da Freguesia, Pe. Ignácio Francisco Xavier dos Santos, onde ele acusava o recebimento da chave do Cemitério da Aldeia, depois denominado Cemitério das Irmandades Conjuntas, como o é até nossos dias.

Pórtico do Cemítério das Irmandades - acervo COMPAHC

Com a autorização da Câmara, representada pela entrega da chave ao Vigário, tiveram início os sepultamentos naquele local, cujo terreno havia sido doado para este fim por Bernardo Moreira Lírio, membro da Irmandade do Santíssimo, ainda na década de 1820.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Morte do professor e historiador Telmo Lauro Müller

   Lamentamos a morte do professor, historiador e diretor por vários anos do Museu Histórico "Visconde de São Leopoldo" e Presidente do Instituto Histórico de São Leopoldo, em São Leopoldo, ocorrida nesta semana.
   Telmo Lauro Müller sempre foi referência quando o assunto era imigração e cultura alemãs.
   Mantinha relações de trabalho e amizade com o Museu Municipal de Cachoeira do Sul - Patrono Edyr Lima, tendo frequentado muitas vezes o local, especialmente ao tempo em que este era dirigido pela museóloga Lya Wilhelm.
   Em 1996, por ocasião da reedição da obra O Trabalho Alemão no Rio Grande do Sul, do historiador cachoeirense Aurélio Porto, pela Martins Livreiro - Editor, o professor se fez presente na solenidade promovida pelo Museu, uma vez que havia protagonizado, junto à Prefeitura de São Leopoldo, as tratativas que permitiram o lançamento.
   Na apresentação da obra, feita por ele, destacamos:
   "Nos primórdios dos meus interesses pela História, tomei conhecimento de um livro - O Trabalho Alemão no Rio Grande do Sul, de Aurélio Porto - o qual se tornou livro-de-cabeceira ao tomar, depois, a estrada da imigração e colonização alemãs. (...) Depois, muito depois, via telefone, Lya Wilhelm, minha colega de ginásio, diretora do Museu de Cachoeira do Sul, põe-me a par de uma iniciativa para a qual queria minha palavra: reeditar Aurélio Porto fac-similado. Ora, agora que o leitor tem o livro na mão, sabe da minha resposta e do meu empenho junto à Prefeitura Municipal de São Leopoldo, responsável pela primeira edição. Este livro é fundamental porque foi o primeiro em língua portuguesa a tratar nossa imigração alemã em profundidade."
   Com estas breves palavas, nossa homenagem ao grande historiador e difusor da cultura alemã Telmo Lauro Müller.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cobrança de pedágio na Ponte de Pedra

            A primeira prova de uso da Ponte de Pedra constante da documentação político-administrativa de Cachoeira que chegou até nossos dias remonta a 13 de janeiro de 1849. Trata-se de ata da sessão da Câmara Municipal, onde foi registrada reclamação de usuários contra irregularidades na cobrança de pedágio para passagem na ponte.

            Antes disso, a primeira referência documental à ponte é de 1832, quando a Presidência da Província determinou à Câmara que providenciasse planta e orçamento da obra que deveria ser construída sobre o rio Botucaraí. Lá se vão 180 anos!
            Uma das grandes vitórias do ano de 2011 foi a recuperação deste bem de inquestionável valor histórico. Agradecimentos especiais ao Grupo de Recuperação da Ponte de Pedra – e seus incansáveis e corajosos membros – e ao Tenente-Coronel Marcus Vinicius Fontoura de Melo, Comandante do 3.º Batalhão de Engenharia de Combate que hoje entrega o comando ao seu sucessor.


Sucesso, Tenente-Coronel Melo! Cachoeira do Sul agradece sua estada e as excelentes ações que protagonizou na terra que foi palco da vida de seu antepassado, Comendador Antônio Vicente da Fontoura.
Mirian Ritzel

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Um vereador estrangeiro na Câmara de Cachoeira

         Em 15 de dezembro de 1859, a Lei Provincial n.º 443 concedeu o foro de Cidade à sede da Vila Nova de São João da Cachoeira. A cerimônia de instalação de Cachoeira Cidade deu-se quase um mês depois, no dia 10 de janeiro de 1860.
        O que poucos sabem é que a Câmara Municipal de Cachoeira, na época, era presidida por um... argentino! Miguel Candido de La Trinidad era o seu nome de batismo. Nascido em 29 de maio de 1825, foi batizado em Buenos Aires no dia 17 de julho do mesmo ano. Seus pais eram o italiano Cayetano Ricciolini e a portuguesa Isabel Rubio, natural de Lisboa.


Miguel Cândido da Trindade, nome adotado no Brasil, estabeleceu-se em Cachoeira, onde casou em 20 de junho de 1854 com Josefa Leopoldina da Fontoura, filha de Antônio Vicente da Fontoura.

Miguel havia tomado posse como vereador em 1857. Coube a ele presidir a primeira sessão da Câmara depois da elevação de Cachoeira à condição de cidade.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Hospital de Caridade e Beneficência - segundo prédio

        O primeiro prédio do Hospital de Caridade, hoje Escola Profissional da Saúde, esgotou-se rapidamente em sua oferta de espaço físico, equipamentos e serviços para atender à demanda da cidade.
Primeiro prédio do Hospital - 1910

           Em junho de 1925, quando Ernesto Müller presidia o Hospital, a diretoria reuniu-se para discutir a construção de um novo prédio, destinando-se o antigo, ou primeiro, a abrigar e atender aos doentes portadores de moléstias contagiosas, o chamado isolamento. Dez anos depois, em reunião acontecida no dia 16 de setembro, a maioria dos membros da então diretoria aprovou como local para construção do novo hospital a Praça Itororó, doado pela Intendência com esse fim.
            Para a construção do novo Hospital foi aberta uma concorrência pública e em junho de 1937 a proposta apresentada conjuntamente por Costa & Hartmann e Theo Wiederspahn, de Porto Alegre, teve parecer favorável do Capitão José Diogo Brochado, relator da comissão de estudos de projetos. Em dezembro daquele ano houve a lavratura do contrato de construção com a firma Schuetz & Matheis, de Santa Cruz. Era provedor Edwino Schneider. Em 9 de janeiro de 1938 aconteceu a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do segundo prédio do hospital na Praça Itororó.
Segundo prédio em construção - coleção Claiton Nazar
Vista dos fundos do prédio - coleção Família Gressler

Frente do segundo prédio - fototeca Museu Municipal

Fonte: Cachoeira do Sul em busca de sua história, de Angela S. Schuh e Ione M. S. Carlos, Martins Livreiro - Editor, 1992.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Um imperador em Cachoeira

                Era uma vez um lugarejo chamado Vila Nova de São João da Cachoeira, encravado no coração de uma província chamada São Pedro do Rio Grande do Sul, que se engalanou para receber um imperador. A história, acontecida no dia 7 de janeiro de 1846, deu-se assim:
Desde outubro de 1845, os vereadores da Vila Nova de São João da Cachoeira estavam agitados com os preparativos para a visita do jovem Imperador Pedro II. Uma vila pequena ainda, com raras casas cômodas e gente pouco habituada aos rapapés da Corte tinha muito que evoluir para receber tão ilustre personagem. Além do mais, D. Pedro havia se casado há pouco, o que fazia com que os vereadores tivessem uma preocupação a mais: provar que um lugarejo dos confins do Império acomodaria condignamente a filha de um rei e esposa de um imperador.
Imperatriz Tereza Cristina

         Em sucessivas reuniões, liderados pelo presidente Alexandre Coelho Leal, os vereadores João Thomaz de Menezes Filho, João Pinto da Fonseca Guimaraens, José Pereira da Silva Goulart, João Antonio de Barcellos e João de Souza Dias discutiram quais os compromissos do Imperador na Vila, como o povo seria preparado, quais os trajes que eles deveriam usar na presença dos visitantes, como as casas e as ruas seriam decoradas e iluminadas e em que moradia, afinal, o casal imperial poderia acomodar-se com relativo conforto. A escolha recaiu sobre um casarão erguido pelo Dr. Jozé Afonso Pereira, na Rua Santo Antônio, de fachada decorada por azulejos portugueses, onde os hóspedes teriam aposentos asseados, serviçais disponíveis, boa mesa e conversa civilizada, pois o anfitrião, além de médico, era homem viajado e acostumado a reuniões sociais.
A casa do Dr. Pereira em cartão-postal da coleção particular
 de Renate S. Aguiar

Outro cartão-postal do casarão que hospedou D. Pedro II

Tomadas as devidas providências, antes do clarear do dia 7 de janeiro de 1846, às 5 horas da manhã, os vereadores reuniram-se na Câmara para, em comitiva, seguir até as proximidades do Passo do Amorim para receberem D. Pedro II, D. Teresa Cristina e a comitiva imperial. Montavam os melhores cavalos, trajavam roupas previamente acertadas e que pareciam as mais adequadas à ocasião: calça, colete e casaca preta, lenço branco ao pescoço, botins e chapéu armado. O vereador presidente, em nome dos seus pares e dos habitantes da Vila Nova de São João da Cachoeira, deu as boas-vindas ao Imperador e esposa, externando a satisfação de poder abrigar Suas Majestades e comitiva, finalizando com vivas à pacificação da Província. Assim escoltado, o Imperador desceu a Rua do Corpo da Guarda, dirigindo-se à Rua Santo Antônio para, finalmente, ser acomodado na casa do Dr. Pereira.
Imperador Pedro II

A casa em questão foi vendida muitos anos depois a descendentes de José Gomes Portinho, cachoeirense que fez nome na Revolução Farroupilha e depois na Guerra do Paraguai, quando defendeu os interesses do Império. Como prova de sua envergadura moral, Portinho recusou o título de Barão de Cruz Alta que D. Pedro II lhe ofertou em 1878. Era republicano por convicção, julgando-se, portanto, impossibilitado de receber honrarias do Império. Mas esta já é outra história.

Da primeira visita de D. Pedro II a Cachoeira (ele retornaria em 1865) resta hoje alguns azulejos da casa do Dr. Jozé Afonso Pereira, preservados no acervo do Museu Municipal, as atas da Câmara que relatam os preparativos e ações levadas a efeito pelos vereadores e a ponteira do cetro de metal dourado que foi oferecido ao Imperador. O casarão que hospedou D. Pedro não resistiu ao desgaste do tempo e à nossa incapacidade de preservar patrimônios e cedeu espaço para um prédio sem beleza, sem nobreza e sem história.

Duas das últimas fotos do casarão, 1984 - Claiton Nazar


A (des)construção que ocupa o lugar do casarão
nos dias de hoje - foto Claiton Nazar

(Texto de Mirian Ritzel, baseado em dados constantes da documentação do Arquivo Histórico e Museu Municipal, publicado originalmente em 2008 no site CachoeiraTem – WWW.cachoeiratem.com.br).


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Série Lojas do Passado: A Carioca

           A Carioca foi inaugurada em 12 de outubro de 1917. Propriedade de Luiz Leão e Heitor Gomes Martins, estava localizada no prédio construído na Rua Andrade Neves, junto à Casa Primavera. Comercializava inicialmente frutas, doces, bebidas e cigarros.
Em 1º de setembro de 1919, Luiz Leão e Heitor G. Martins dissolveram a sociedade, constituindo outra sob a razão social de Martins & Leão. O nome fantasia A Carioca foi mantido e o comércio ampliado para bebidas, especialidades e comestíveis finos.
Em 16 de novembro daquele mesmo ano, o estabelecimento foi transferido para vasto prédio na Rua 7 de Setembro, 157. Junto ao estabelecimento passou a funcionar o Carioca Clube.
A Carioca, defronte ao Cinema Coliseu Cachoeirense

Luiz Leão retirou-se da sociedade em dezembro e, em novembro de 1920, foram iniciadas reformas no prédio para estabelecimento de um café. O Café A Carioca foi inaugurado em 1º de abril de 1921, defronte ao Coliseu Cachoeirense, em amplo salão de três portas, calçada de mosaico e mobiliado a capricho. Em 1924 Carlos Kromer foi admitido como gerente do estabelecimento.
A Carioca, na Rua 7 de Setembro, local do atual Ed. Brasília


Interior do Café A Carioca em dia de grande movimento


Em agosto de 1941, o Café A Carioca foi comprado pela firma Francisco Brunkhorst & Cia., proprietária da Gruta do Leite, sendo também arrendadas as suas dependências. Em abril de 1942, foi fechado temporariamente por determinação do Posto de Higiene da cidade, reabrindo após três meses de reforma e adaptação às exigências sanitárias.
A história do Café A Carioca foi selada em 21 de novembro de 1942, quando um incêndio destruiu o prédio que então pertencia aos herdeiros Peixoto Vieira da Cunha e ao Banco da Província. O gerente Júlio Zanenga não conseguiu retirar nada do café, restando daquele ponto consagrado por gerações de cachoeirenses apenas poucas e incompletas imagens.

Imagens: Grande Álbum de Cachoeira, Benjamin Camozato, 1922
                Fototeca Museu Municipal


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Em princípios de janeiro...

Nos primeiros dias de vários janeiros da nossa rica história aconteceram importantes acontecimentos:
- em 1900, dia 1º: fundação do jornal O Comércio (O Commercio) por Henrique Möller Filho. O jornal, semanário, circulava às quartas-feiras. Nos primeiros tempos era bilíngue, atendendo à comunidade germânica numerosa da cidade e honrando as origens da família de seu proprietário. A vida do Comercinho, como era carinhosamente chamado na cidade, durou 66 anos. Encerrou as atividades em fevereiro de 1966.

Oficinas da Tipografia d'O Comércio. Sentado, o fundador.

- em 1914, dia 1º: início de circulação da revista mensal Brasil Filatélico (Brazil Philatelico), de responsabilidade do multidisciplinar Benjamin Celestino Camozato, dentista, fotógrafo, cinegrafista, comerciante, para citar as suas principais atividades.
- em 1937, dia 1º: fundação da Companhia Navegação Cachoeira Ltda.
- em 1946, dia 1º: fundação do Centro Cultural Cachoeirense, liderado pelo Dr. Ervin Wolffenbüttel, primeiro presidente, Liberato Salzano Vieira da Cunha e Emilio Freitag. O Centro Cultural foi entidade precursora do movimento artístico-cultural que caracterizou Cachoeira do Sul e que ainda hoje é uma das suas marcas.
Integrantes do Centro Cultural na gare da Estação

- em 1913, dia 2: criação da Seção de Higiene Municipal, sob a direção do Dr. Walter Castilho.
- em 1949, dia 6: fundação do Asilo de Velhice Nossa Senhora Medianeira pela Sociedade Cachoeirense de Auxílio aos Necessitados – SCAN, uma das entidades assistenciais mais apoiadas pela comunidade até hoje.
Imagens: Fototeca Museu Municipal

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Um voto

Nenhuma casa deixará de ter luz e de ter água na torneira, lençóis limpos nas camas, lenha para o fogo, assoalho lavado, pão quente sobre a mesa, roupas desordenadas nas prateleiras das crianças, compotas de pêssego no guarda-louça, fotos dos antigos penduradas na parede.
Nenhuma casa deixará de ter suas janelas e suas portas com trincos ferrolhos e trancas abertas e quem sabe um gato de jeito morno e lento sobre a almofada.
Nenhuma casa deixará de ter a música de vozes amenas ou alteradas por alguma rusga e de suspiros silêncios passos pássaros.
Não. Nenhuma.
E terá uma cozinha. E a cozinha terá panelas para que sejam refogados legumes e seja cozido o arroz, enquanto palavras contam causos receitas receios romances.
Nenhuma casa deixará de ter um motivo que seja para festejar.
Nenhuma casa.
Nenhuma.
Célia Maria Maciel
Feliz 2012 e obrigada por seguir em nossa companhia!