Espaços urbanos

Espaços urbanos
Nossa Senhora abençoa o Centro Histórico - foto Renato F. Thomsen

sábado, 31 de março de 2012

Série Lojas do Passado: Agência Bromberg

A Agência Bromberg foi instalada em Cachoeira no ano de 1912, como filial de Porto Alegre, ocupando espaçoso edifício próprio, construído na Rua Saldanha Marinho, 120, esquina Rua Sete de Abril (atual Dr. Milan Kras). O endereço é hoje ocupado por filial do Supermercado Tischler.

Dentre os produtos oferecidos pela Agência Bromberg no ano de sua inauguração estavam os automóveis da marca Humber, comercializados ao preço de seis contos e quinhentos réis. Um dos primeiros compradores foi Albino Pohlmann que empregou o automóvel no transporte de passageiros.
No final da década de 1920 a agência passou para a denominação de Bromberg & Cia., passando na década de 1930 para Bromberg S.A. O ramo da empresa era o comércio, importação e exportação, compra e venda, representações, consignações de ferragens, máquinas e acessórios.
Ao lado da Bromberg foi instalada, em 21 de março de 1927, a primeira bomba de gasolina de Cachoeira, da marca Atlantic.


21/3/1927 - inauguração da 1.ª bomba de gasolina de Cachoeira
junto à Agência Bromberg - fototeca Museu Municipal
Em 27 de dezembro de 1932 foi inaugurado, no vasto prédio que havia sido da Agência Bromberg, na Rua Saldanha Marinho, o Cachoeira Rink Club.

sábado, 24 de março de 2012

Antônio Vicente da Fontoura há 97 anos denominando uma escola

    Antônio Vicente da Fontoura - se perguntarmos a qualquer cachoeirense quem é esse homem, a resposta certamente será: “... o que dá nome a uma escola que fica perto do Château d´Eau.”

    Pode ser que a resposta frustre a expectativa de quem esperava ouvir algo semelhante a “foi um importante vulto da história de Cachoeira e  que negociou a paz do Rio Grande com o Império em 1845...”


Antônio Vicente da Fontoura

    Talvez a Prof.ª Cândida Fortes Brandão não tenha imaginado a perpetuidade do nome quando, em março de 1915, sugeriu que o Grupo Escolar criado no dia 22 recbesse o nome “... do glorioso farroupilha cachoeirense por adoção (...) que vendo fracassada a revolução de 35, conseguiu uma paz honrosa para o Rio Grande, indo à Corte tratar pessoalmente com o imperador as bases da mesma.”

    A despeito das sucessivas mudanças sofridas pela educação e pela própria escola ao longo de todos esses anos, e de alguns rápidos períodos em que outras denominações foram aplicadas, o nome Antônio Vicente da Fontoura prevaleceu.

E.E.E.F. Antônio Vicente da Fontoura - foto Renate S. Aguiar
   
    Agora, do alto de seus 97 anos, rumo ao centenário, a escola continua a perpetuar em seu nome a memória daquele que, pelas palavras de Cândida Fortes Brandão, “...não foi, pela palavra, um educador, porém o foi pelos brilhantes exemplos tanto na vida privada como na pública, merecendo por isso, servir de exemplo à juventude e que à sua memória seja prestada esta homenagem.”
   

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mau estado sanitário do Município há 105 anos

     O jornal O Commercio (1900-1966), na edição de 6 de março de 1907, publicou carta de um leitor chamando a atenção para o "mau estado sanitário" no Alto dos Loretos, onde residia. Lá havia 12 pessoas atacadas pelo tifo, com registro de um óbito. O missivista  apontava como uma das causas a falta de higiene nas casas e a péssima água colhida nos poços, uma vez que os pipeiros (vendedores de água) não iam até aquele arrabalde.

Vendedor de água - acervo CORSAN
     No decorrer da carta, o leitor alertava sobre a falta de interesse das autoridades, afirmando que uma cidade grande e importante como Cachoeira precisava cuidar da higiene das casas, da desinfecção das latrinas, que nem sequer eram caiadas, e da higiene empregada na criação de animais nos pátios, especialmente os porcos.
     Como se vê, o leitor que remeteu a carta era bem informado...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Novos tempos para o tempo passado II

            Na Semana de Cachoeira de 1978 um monumento dedicado à Cidadania, Trabalho e Cultura, obra do artista cachoeirense Antônio Albino Maciel, foi inaugurado no local em que estava sendo disposta a Praça Honorato de Souza Santos.

15/12/1978 - inauguração do monumento
            De lá para cá já transcorreram mais de 33 anos e o monumento nunca sofreu restauro, apresentando-se degradado pelo tempo e ação de vândalos.
Foto Nelda Scheidt - fev. 2012
            Na semana passada, a convite da Prefeitura Municipal e aavés do Núcleo Municipal da Cultura, Antônio Albino veio a Cachoeira para começar um trabalho de recuperação do monumento, contando para isto com o apoio de servidores da Secretaria Municipal de Obras.
Antônio Albino Maciel (D) orientando o trabalho
            O escultor pretende voltar a Cachoeira em mais duas ocasiões para terminar o trabalho. E espera também que a população respeite o monumento, mantendo a sua integridade.

Nos próximos dias o Núcleo Municipal da Cultura recolocará nova placa de identificação do monumento, respeitando o que estava gravado na original:
A cidadania, trabalho e cultura. Prefeito Municipal: Júlio Cezar Caspani. Escultor: Antônio Albino Maciel. Inaugurado na Semana de Cachoeira do Sul – 15-12-1978.

Imagens: Antônio Albino Maciel (fotos da inauguração), Nelda Scheidt e Mirian Ritzel.

domingo, 18 de março de 2012

Novos tempos para o tempo passado

                Cachoeira do Sul está vivendo novos tempos no que se refere ao tempo passado. Ou seja, nunca antes nosso patrimônio histórico recebeu tanta atenção. Mas isto não é unanimidade. Ainda há muito que fazer, verdadeiras joias da história ainda estão à espera de atenção e socorro. E muitas cabeças ainda seguem duras.
                Ações pontuais são vistas em vários locais da cidade. Nota-se que alguns já perceberam que conservar pode ser mais interessante do que demolir. E o reaproveitamento muitas vezes é infinitamente mais significativo pelo valor que a história agrega ao bem.
                Foi com grande satisfação que verificamos que o calçamento da Rua Sete de Setembro, espécie de tapete a emprestar votos de boas-vindas aos visitantes de outrora, tantas vezes maltratado e já bastante desfigurado em sua geometria de paralelepípedos em dois tons, está sendo refeito com todo cuidado por ocasião das obras hidráulicas que lá se verificam.



                Ufa! A memória de Cachoeira do Sul agradece!

sábado, 17 de março de 2012

Balthazar de Bem e os "homens de cor"

        O Dr. Balthazar de Bem, já dissemos aqui, é uma das mais interessantes personalidades da nossa história.
Balthazar de Bem entre familiares e serviçais- fototeca Museu Municipal

         Viveu em uma Cachoeira que ainda segregava brancos e negros.
         O jornal O Commercio (1900-1966) noticiou em sua edição de 19 de março de 1913 que no dia 15, sexta-feira, os “homens e mulheres de cor” domiciliados em Cachoeira fizeram uma concorrida manifestação de apreço ao Dr. Balthazar de Bem, Intendente do Município, oferecendo-lhe o seu retrato em “ponto grande”.
         Balthazar de Bem, ao contrário da maioria dos cidadãos bem situados da sociedade de seu tempo, não fazia distinção entre brancos e negros, bem pelo contrário, como prova a notícia de O Commercio.

quarta-feira, 7 de março de 2012

O primeiro apito do trem


           Há exatos 129 anos a cidade de Cachoeira ouviu pela primeira vez o apito da locomotiva que chegou à Estação Ferroviária, inaugurando o trajeto Porto Alegre – Uruguaiana.

A gare da Estação em dia de grande movimento

           O serviço de transporte ferroviário no local durou pouco mais de 90 anos e foi responsável, dentre outras coisas, pela divisão da cidade em zona baixa e zona alta, tendo como marco os trilhos da Estação.
A existência da Estação Ferroviária e as chegadas e saídas rotineiras de trens de carga e de passageiros incentivaram a grande concentração de engenhos de arroz e outras empresas no entorno pela facilidade de escoamento da produção.


Engenhos de arroz e o Banco do Brasil junto à Estação


Também não é à toa que a primeira quadra da Rua 7 de Setembro, na descida/subida dos bancos, teve seu calçamento decorado. Os paralelepípedos artisticamente dispostos tinham a dupla função de estabilizar o terreno e de parecer um tapete para dar as boas-vindas aos visitantes.

Calçamento da Rua 7 - foto Jorge Ritter

Detalhe do calçamento da Rua 7 - foto Regina G. Buss
A imagem do prédio gracioso da Estação que ficou salvo na memória de muitos que ainda presenciaram o seu movimento até meados dos anos 1970 e em fotos dispersas pelos lares e zelosamente preservadas no Museu Municipal são provas de um tempo que ficou para trás. O paradoxo é que, mesmo pertencendo ao passado, a Estação e as facilidades do transporte ferroviário habitam os anseios de nosso futuro, provando que a modernização não necessariamente agrega qualidade a nossas vidas.
Mirian Ritzel
Imagens: fototeca do Museu Municipal

domingo, 4 de março de 2012

Série Lojas do Passado: Ponto Chic

           “Atilado empreendedor, Manoel Costa Júnior (proprietário do Cinema Coliseu Cachoeirense) decidiu-se a aumentar suas rendas de empresário afortunado e em 1912 construiu, no terreno existente à esquerda do Coliseu, e também de madeira, o Ponto Chic.
Ponto Chic, ao lado do Coliseu Cachoeirense
- Imagem: Benjamin Camozato

Na parte da frente funcionava o bar que atendia aos clientes acomodados não muito confortavelmente em mesinhas de ferro distribuídas em toda área calçada que ia até o cinema. Os fregueses dividiam suas preferências entre as cervejas locais – a Homrich e a Trommer - enquanto os jovens, a quem era vedado o uso do álcool, contentavam-se com a “Cyrila” e as gasosas. 
A segunda divisória do Ponto Chic era bem maior, bem mais ampla, pois se tratava do restaurante. Uma casa de pasto que desfrutava a vantagem de não ter concorrentes.”
Ponto Chic na esquina da Praça das Paineiras,
ao lado do Coliseu Cachoeirense
- Imagem: Benjamin Camozato

A descrição acima, feita por Paulo de Gouvêa, na História de uma Praça, publicada no Correio do Povo, em 10 de dezembro de 1983, é o testemunho de quem viu aquele ponto em funcionamento.
Manoel Costa Júnior, que pretendia atrair os frequentadores do cinema também de sua propriedade, oferecia sanduíches, doces, chocolates, conservas, frios e bebidas na parte em que funcionava o bar. Nos fundos, no mesmo chalé, ficava o Restaurante Coliseu, onde servia almoço e jantar, constando o cardápio de a la minuta, café, leite, doces, saladas, chocolates e chás.
O jornal local O Comércio (1900-1966), em sua edição de 3 de maio de 1916, publicou:
“(...) a cidade de Cachoeira, apesar da conflagração (a  I Grande Guerra) e das crises dela decorrentes, está sobremodo encantadora. Que o digam os frequentadores da Avenida das Paineiras, dessa multidão que às tardes e às noites a enchem, dando-lhe um aspecto de animação e bem-estar que talvez se não encontre em nenhuma das outras cidades da campanha rio-grandense.
Contemplando-se esse quadro que reflete, certamente, o progresso e a concórdia reinantes neste município, não se pode deixar de recordar com louvores a parte que toca ao Sr. Manoel Costa Júnior, no que concerne ao embelezamento e animação da nossa praça de recreio, pois é incontestável que o centro de atração, a mais bela parte da avenida, é o ponto que o incansável Costa denominou de – Chic.


Interior do Coliseu Cachoeirense
Ao piano, Curt Dreyer, em primeiro plano
- Imagem: Benjamin Camozato
Cinema Coliseu Cachoeirense, de Manoel Costa Júnior
- Imagem: Benjamin Camozato
Aí tem ele tem o seu excelente Coliseu, o seu restaurante, o seu bar. Assim é que enquanto uns combatem os calores estivais refrigerando-se com coisas geladas, outros dão vela ao paladar no seu bem atendido restaurante, ingerindo acepipes que restauram ao mesmo tempo as forças do corpo e da alma, pois tudo isso é feito ao som de um piano habilmente dedilhado pelo maestro Curt Dreyer. Quanto tudo isto não baste aí, tem o desfilar do sexo gentil pela avenida fartamente iluminada, às vezes a cores, enquanto as músicas ressoam e as campainhas do Coliseu tilintam, convidando às fitas por entre pregões de reclames que ainda mais realçam o movimento. "

Avenida das Paineiras (atual Sete de Setembro)
com farta movimentação defronte ao cinema
- Imagem: Benjamin Camozato

sábado, 3 de março de 2012

Marcelo Gama

Vim sarar tédios, longe da cidade,
a convite e conselho de um amigo,
neste sombrio casarão antigo,
onde tudo tem ares de saudade.

— "Vem para o campo que a paisagem há de
curar-te". Mas, curar-me não consigo:
ontem o riso esteve bem comigo;
hoje me sinto cheio de ansiedade.

Sou assim, como as asas do moinho
que, lá distante, à beira do caminho,
por entre casas velhas aparece:

Gira ao norte..., ora ao sul..., depressa..., lento...
Parece doido aquele cata-vento!...
Mas como ele comigo se parece!

        A alma inquieta que escreveu o soneto acima, intitulado Cata-vento, chamava-se Possidônio Cezimbra Machado e assinava suas obras com a alcunha de Marcelo Gama.

Natural de Mostardas, onde nasceu no dia 3 de março de 1878, Marcelo Gama iniciou sua vida literária em Cachoeira, razão pela qual alguns estudiosos de sua obra o consideram cachoeirense.
        Muito moço empregou-se no comércio de Cachoeira. Em Porto Alegre, para onde se mudou, foi admitido por Caldas Júnior no jornal Correio do Povo, cabendo-lhe a tarefa de redigir textos e chamadas publicitárias, podendo ser considerado dos primeiros publicitários do Rio Grande do Sul. Também redigia para o Jornal da Manhã, em Porto Alegre, e fundou em Cachoeira, no ano de 1900, o jornal literário A Lua, assinando com o pseudônimo apropriadíssimo de Selenita.
        Marcelo Gama foi autor de três obras: Via Sacra e Noite de Insônia (versos) e Avatar (peça dramática). Deixou uma quarta incompleta: Violoncelo do Diabo.
        Sua morte foi prematura, em 7 de março de 1915, quando despencou de um bonde em movimento no Rio de Janeiro, supostamente por ter cochilado.   
        Em Cachoeira do Sul dá nome a uma das principais vias de acesso à cidade, a Avenida Marcelo Gama.