Espaços urbanos

Espaços urbanos
Para não esquecer o 1.º de maio e sua alusão ao trabalho - foto Robispierre Giuliani

sábado, 29 de setembro de 2012

28.ª Feira do Livro de Cachoeira do Sul


           Programe-se. Estará começando, no dia 5 de outubro, um dos mais importantes eventos culturais de nossa cidade e um ótimo motivo para levar toda a família até a Praça José Bonifácio: a 28.ª Feira do Livro de Cachoeira do Sul.
            Prestigie e siga as novidades acompanhando o blog http://28feiradolivro.blogspot.com.br


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

E por falar em árvores... no seu dia!


        Em setembro, pouco antes da entrada da primavera, nosso calendário cultural dedica o dia 21 como o Dia da Árvore. Na nossa infância, invariavelmente, o 21 de setembro era dia de relembrar a importância destes vegetais para a nossa vida e retratá-los em desenhos, pinturas e outras técnicas que nossos professores desenvolviam em sala de aula.


         Em 1916, o jornal O Commercio publicou o Decálogo Florestal, uma incitação à conservação das árvores, adiantada postura ecológica em tempos que não cogitavam estes assuntos, texto reproduzido pelo blog em maio de 2011.
         Nas décadas de 1960 e 1970, Cachoeira do Sul era tida como uma das mais arborizadas cidades do Rio Grande do Sul. O que muito orgulhava os cachoeirenses. Ainda conservamos uma boa cobertura vegetal, embora espécies interessantes, especialmente de nossas praças e vias públicas, tenham se perdido. Neste final de inverno, muito têm chamado a atenção a florada dos ipês, especialmente os roxos, de uma exuberância acentuada em relação a anos anteriores.

Vista aérea e panorama da arborização - Facebook

         A importância que a cidade historicamente dá às árvores reflete-se, por exemplo, na antiga denominação popular da Praça José Bonifácio – a Praça das Paineiras – devido ao grande número de árvores desta espécie plantadas nos lugares onde hoje estão as tipuanas. Aliás, paineiras irmãs daquelas encontram-se até hoje no pátio da Escola Estadual Rio Jacuí, tendo merecido tratamento especial do muro, cuja base permite que suas raízes centenárias ocupem o espaço necessário.

         Há também um bairro na cidade, o Vale do Sol, em que as ruas são denominadas com nomes de espécies distintas de árvores: Rua das Manduiranas, Ruas das Spatódeas, Rua das Canafístulas, Rua dos Ipês e outras mais. Não podemos esquecer ainda do nosso encantador Jardim Botânico, que divide espaço com o Jardim Zoológico e o Museu no Parque Municipal da Cultura.

Jardim Botânico - foto Jorge Ritter

         Motivos para comemorar o Dia da Árvore, além dos relacionados à conservação do meio-ambiente, há de sobra em Cachoeira, embora a tristeza da queda de três tipuanas depois das últimas chuvas tenha atingido aqueles que amam as árvores. Que outras sejam plantadas e vinguem, como as octogenárias que lá ainda estão.

 E viva a sombra, porque o verão – há muito – tornou-se nossa preponderante estação!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ramiro Barcelos e seu discurso ecológico


            Há 110 anos, o Senado ouviu seu primeiro discurso ecológico. E ele foi proferido nada mais nada menos do que por nosso conterrâneo Dr. Ramiro Fortes de Barcelos (1851-1916).


           Preocupado com o desmatamento que se verificava no início do século XX, Ramiro Barcelos disse textualmente: “Tenho pena dos meus descendentes, pois sofrerão na pele o ato irresponsável deste crime contra a natureza que nos supre oxigênio.” (Conforme a obra Médicos gaúchos e a política, do Deputado Federal Germano Bonow, Brasília, 2010).

            Transpondo já a primeira década do século XXI, o desmatamento ainda nos assola e assusta. Na véspera do transcurso do Dia da Árvore, que as palavras do médico, político e escritor Ramiro Barcelos nos animem na sua defesa. Se não pudermos salvar as florestas, salvemos as árvores que estão próximas de nós: nos quintais, nas praças, nas ruas da cidade.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Tipuanas

   Hoje mais duas das quase centenárias tipuanas (Tipuana tipu) da Praça José Bonifácio caíram. O volume de chuvas intenso dos últimos dias e o vento que caracteriza esta época do ano selaram o destino destas árvores que não receberam de nós o devido respeito e atenção ao longo das décadas.

Tipuanas tombadas pelo mau tempo - 19/9/2012 - foto Mirian Ritzel

   Relembrando: as tipuanas foram plantadas em 1926, coroando a remodelação que a Praça José Bonifácio sofreu a partir de 1925, sob a administração de João Neves da Fontoura.
   Que em breve o local ocupado pelas tipuanas seja preparado para receber novas mudas, restituindo pelo menos a cobertura verde que sempre caracterizou a tão maltratada José Bonifácio.
   

domingo, 16 de setembro de 2012

Colégio Imaculada Conceição - final da história de 91 anos


               Foi com tristeza e apreensão que a comunidade cachoeirense recebeu a notícia do encerramento das atividades do Colégio Imaculada Conceição sob a direção da Congregação de Santa Catarina.

Alteroso conjunto do Colégio no Bairro Santo Antônio
- imagem do site do CIC

                As freiras da Congregação já estavam em Cachoeira desde 1919, atuando no Hospital. Em 1921 estenderam sua ação para a área educacional, quando fundaram o Colégio Imaculada Conceição, inicialmente instalado no prédio onde hoje está o Colégio Marista Roque. Em 1927 a Congregação deu início à construção do prédio principal no Bairro Santo Antônio. Em 1961 o prédio do Ginásio Imaculada Conceição completou o conjunto que embeleza e orgulha o bairro, formando com a Igreja Santo Antônio um indiscutível sítio de valor arquitetônico ímpar.

Colégio Imaculada Conceição - fototeca Museu Municipal

                Que os próximos administradores do tradicional educandário saibam dar continuidade aos propósitos educacionais firmados com a comunidade cachoeirense pelas discípulas da Madre Regina Protmann e que respeitem este patrimônio histórico-cultural que é tão caro para Cachoeira do Sul.

sábado, 8 de setembro de 2012

Semeadura em setembro

       A publicação Cachoeira Histórica e Informativa, de Vitorino e Manoel Carvalho Portela, lançada em 1941, traz diversas informações sobre a história, a economia, a vida social, cultural e religiosa da cidade. Traz também um capítulo de dados e informações de utilidade geral, como o que segue, referindo-se ao mês de setembro.
         Setembro – preparam-se as terras para vários plantios. Plantam-se milho, arroz, feijão, lentilhas, ervilhas, algodão, cana, cânhamo, tremoços, amendoim, mandioca, batatas doces e inglesas, abóboras, melancias, melões, pepinos, cacau.
Arroz

Semeia-se fumo para transplantar em outubro. Ainda se semeia alfafa, afrouxando-se a terra desta planta. Cuidam-se, nas árvores frutíferas, dos brotos que começam a aparecer.
Na horta, transplantam-se as mudas de tomateiros, alcachofras, acelgas, alface repolhuda, aipo, agrião, azedinha, beterraba, chicória, couves, manjerona, mostarda, melancias, melões, nabos, pepinos, pimentas, quiabos, rabanetes, repolho, salsa, etc.
Alface
Semeiam-se quase todas as flores anuais. Começa-se a enxertar (de borbulha) laranjeiras e outras árvores frutíferas.
Laranjeira
Ainda se podem plantar estacas de oliveiras. Põem-se em terras as batatas de dálias, dividindo-as ou separando-as de modo que cada uma delas fique com uma parte de lenho ou haste do ano antecedente, porque a batata que não tiver uma parte desta haste morrerá.
Dália
Mãos à obra, que setembro está só no começo! 

Imagens: Internet

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Olímpio Leal - primeiro intendente de Cachoeira


             Olímpio Coelho Leal, de tradicional família, nasceu em Cachoeira no dia 28 de maio de 1859. Quis o destino que o filho que nasceu no ano em que a terra natal ganhou o foro de cidade também fosse o seu primeiro mandatário depois da proclamação da República. Assim, em 8 de setembro de 1892, Olímpio foi empossado intendente de Cachoeira, o primeiro de uma sucessão de homens que foram os responsáveis pela administração do município em um período histórico que introduziu o regime republicano e se estendeu até 1930, quando os mandatários passaram a ser designados como prefeitos e as intendências passaram a ser as prefeituras.

Olímpio Coelho Leal - fototeca Museu Municipal

            Olímpio Leal, hoje lembrado por uma rua da cidade, era filho de José Custódio Coelho Leal e Heduviges Falcão Leal. Farmacêutico de profissão e proprietário da Farmácia Leal, na Rua Sete de Setembro, casou-se com Cândida Pessoa, com quem teve três filhos: João de Deus, Maria e Edith.
            Antes de ser nomeado intendente, Olímpio havia sido delegado de polícia. Sua passagem pela Intendência foi rápida, de setembro a dezembro de 1892. Nesse curto período, foi promulgada nossa primeira Lei Orgânica.
            Em outubro de 1917, vendeu a casa onde morava, herança do pai, na Rua Sete de Setembro, para o Clube Renascença. Oito anos depois, a casa foi vendida para a União de Moços Católicos, sendo até hoje identificada por este nome.

Clube Renascença - antiga residência da família Leal - Rua 7 de Setembro
- fototeca Museu Municipal

            A existência de Olímpio Coelho Leal cessou no dia 10 de dezembro de 1936, quando ele contava 77 anos.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Albino Pohlmann e nossa primeira lancha a motor


Albino Pohlmann era mecânico de “mão cheia”. Aliás, Cachoeira deve aos Pohlmann muitos dos avanços tecnológicos, nos quais se incluem o primeiro engenho de descascar arroz da cidade, as primeiras experiências com luz elétrica e com a irrigação artificial das lavouras de arroz.
Mas hoje nos ocuparemos da primeira lancha a motor produzida em Cachoeira e que foi lançada às águas do rio Jacuí em 4 de setembro de 1892, construída por Albino Pohlmann, na oficina mecânica que a família possuía na Rua Sete de Setembro.
 Ao ato de inauguração da lancha, que teve lugar nas imediações da cachoeira do Fandango, segundo noticiava Humberto Guidugli, na Revista Centenário (1959), compareceram, além do construtor e seus auxiliares, senhoras e cavalheiros que embarcaram na lancha e iniciaram uma bela excursão por aprazíveis locais no rio Jacuí.

A cachoeira do Fandango, proximidades do local onde o barco a motor
de Albino Pohlmann fez sua primeira incursão no rio Jacuí há 120 anos

Desta lancha, cujo registro em imagens se desconhece, Albino Pohlmann partiu para outros importantes experimentos que muito contribuíram para o progresso de Cachoeira.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Setembro do saneamento


            Setembro, além de ser o mês da entrada da primavera, da Semana da Pátria e da Semana Farroupilha, marca na história de Cachoeira o acontecimento de avanços significativos nos serviços de saneamento.

         No dia 1.º de setembro de 1909, houve a inauguração do serviço de remoção de dejetos, na forma do recolhimento sistemático dos cubos com material fecal que os moradores depositavam à espera da passagem da carroça do Asseio Público. Depois de recolhidos, os cubos com seu material fétido eram levados até as instalações do Asseio Público, sendo despejados no rio. Atitude nada ecológica! As mesmas águas que recebiam os dejetos eram utilizadas para lavagem dos cubos e da própria carroça do recolhimento!

             No dia 20 de setembro de 1921, a primeira hidráulica de Cachoeira foi inaugurada, nas proximidades do Hospital de Caridade, com depósito de água de 150 metros cúbicos de capacidade, elevado a 15 metros de altura. As ruas que inicialmente recebiam a água encanada eram a Travessa D. Luiza (atual Rua Tuiuti), Rua 7 de Setembro, Rua Ferminiano (atual Gabriel Leon), Rua 15 de Novembro, Rua 7 de Abril (atual Milan Kras) e Rua Moron. A ampliação do serviço só aconteceu quatro anos depois, com a inauguração da segunda hidráulica.

Tanques de decantação da primeira hidráulica - fototeca Museu Municipal

Reservatório da primeira hidráulica - foto Mirian Ritzel

            No ano de 1923, em setembro, também no dia 20, houve o lançamento dos condutos para esgoto, beneficiando as principais ruas da cidade. A primeira "picaretada" para abertura dos valos foi dada simbolicamente em 12 de agosto pelo intendente Francisco Fontoura Nogueira da Gama, como registra a foto abaixo.

Início das obras de lançamento dos condutos de esgoto
- fototeca do Museu Municipal