Espaços urbanos

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Para não esquecer o 1.º de maio e sua alusão ao trabalho - foto Robispierre Giuliani

domingo, 15 de dezembro de 2013

Lya Wilhelm - uma mulher à frente de seu tempo

“Importante é que estejamos imbuídos da convicção de que o tempo que estamos vivendo é e deve ser social. Que o tempo é de desmistificação.” A presente frase, cheia de significado contemporâneo foi escrita há 21 anos pela museóloga Lya Wilhelm. Demonstra, no conteúdo e na forma, o quão prospectivo era o pensamento desta cachoeirense que poderia ter ganhado o mundo, tal a qualidade de sua formação, mas que preferiu investir na sua cidade o grande capital intelectual que possuía.

Lya Wilhelm e Mirian Ritzel nos 30 anos do Museu Municipal - 2008

No momento em que Cachoeira do Sul comemora os 35 anos de seu Museu Municipal, é imperioso que o nome de Lya Wilhelm seja reverenciado, pois coube a ela não apenas a sua organização e funcionamento; coube-lhe muito mais: a definição da linha museológica e museográfica, conceitos ainda novos para o Brasil do final da década de 1970, quiçá para uma cidade do interior do Rio Grande do Sul.
Dentro da concepção de Lya, formada em Filosofia pela Ufrgs, com especialização em Pedagogia Social, na Alemanha, e em Tecnologia Educacional pela PUCRS, “o museu deveria ser um laboratório que promovesse pesquisas, estudos práticos e teóricos de interesse da população cachoeirense, um conservatório para guardar, conservar e valorizar os bens culturais, uma escola capaz de formar homens críticos, que apreendam melhor os problemas de seu meio e da sua cultura, um catalisador de iniciativas e ações comunitárias e um campo de descentralização e emergência dos grupos minoritários”. Incrível clarividência!
E Lya Wilhelm ainda vai além: “a disseminação da consciência museológica deve afastar, cada vez mais, da ideia sacral de que o museu é uma vitrine de objetos representativos para uma elite do ter, do saber e do poder, onde não se encontra a vida cotidiana e os problemas reais das populações concernentes; que a história é a contada pelos vencedores.”
Seu pensamento avançado em termos museais, naturalmente o era também nas questões de preservação dos bens culturais. Foi ela pioneira na educação patrimonial, tornando-se ativista da preservação, fundadora e primeira presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural – Compahc. Quando a nossa velha Estação Ferroviária teve noticiada a demolição, alçou sua voz, juntamente com Eluiza de Bem Vidal, na tentativa isolada de salvar aquele bem. Dez anos depois, liderou os processos de tombamento, cabendo à professora Eluiza a descrição dos primeiros bens tombados.
Muito pode ser dito a respeito de Lya Wilhelm: sua capacidade de gestão de bens e pessoas, sua firmeza de opinião, seu conhecimento especializado, sua dedicação às causas da cultura de sua terra. Mas hoje cabe ressaltar uma evidência: os seus passos arrojados e avançados dotaram Cachoeira do Sul de um museu que se tornou grande para a cidade, apesar de já pequeno em espaço. Sua grandeza foi forjada no pensamento de uma mulher que, à frente de seu tempo, voltava os olhos para o passado, pois entendia que “se a história familiar é fundamental na estruturação da personalidade de um homem, se a ausência de história familiar é trágica para a personalidade de um indivíduo, a história de uma comunidade, de um povo devem ser fundamentais na formação de uma geração. Não saber quem somos, não saber de onde viemos, não termos identidade cultural nos torna presa fácil de interesses alienígenas ou da total alienação.”
Saudades, D. Lya!

Mirian Ritzel, 15/12/2013 – 35.º aniversário do Museu Municipal.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Retrato do Coronel Horácio Borges

Uma lei municipal, de n.º 76, assinada pelo Sub-Intendente João Luiz Pinheiro em 10 de dezembro de 1917, autorizava o Intendente a adquirir um retrato do falecido Cel. Horácio Gonçalves Borges para figurar no salão nobre da Intendência.
O artigo 1.º da lei justificava a aquisição do retrato e a sua colocação no salão nobre como homenagem à memória do abnegado cidadão pelos serviços prestados ao Município, cabendo ao Intendente determinar a época conveniente para a inauguração, revestindo o ato de toda a solenidade.

Cel. Horácio Gonçalves Borges - fototeca Museu Municipal

Horácio Gonçalves Borges nasceu em Cachoeira no dia 4 de abril de 1857, filho de Antônio Gonçalves Borges e Rufina de Lima Borges. Foi chefe político e líder do Partido Republicano Rio-Grandense, tendo assumido o cargo de Intendente municipal por um período curto: de outubro a dezembro de 1912.
Proprietário de grande extensão de terras em Restinga Seca, então distrito de Cachoeira, era chamado de coronel porque tinha este posto na Guarda Nacional, sendo comandante da Brigada 64.
Casou com Georgina Heredia, com quem teve os filhos Horácio, Horacinda e Rufina. Seus filhos naturais eram Álvaro, Afonso, Olímpia, Armando, Olmira e Aparício.
O Cel. Horácio Borges faleceu no dia 9 de outubro de 1917 e parte de sua propriedade, situada no atual município de Restinga Seca, segue com a família. Há no local um museu que pranteia a memória do proprietário ilustre.