Espaços urbanos

Espaços urbanos
Nossa Senhora abençoa o Centro Histórico - foto Renato F. Thomsen

sábado, 24 de junho de 2017

Ossada humana pelas ruas

Há 50 anos, quando a Igreja Matriz passava por uma de suas mais radicais reformas, com grande retirada de material do templo, a Prefeitura Municipal resolveu aproveitar parte do entulho para encascalhar algumas das ruas sem calçamento. A questão é que o entulho estava cheio de um elemento para lá de bizarro: ossos humanos!

Ao terem início os trabalhos de encascalhamento, logo os moradores das ruas em obras se deram conta dos funestos resíduos e começaram as reclamações. O Jornal do Povo estampou, na primeira página de sua edição do dia 24 de setembro de 1967, a seguinte manchete: PREFEITURA ESTÁ DISTRIBUINDO OSSADA HUMANA PELAS RUAS. 

Eis o conteúdo da notícia:

A afirmação é verdadeira e tem gerado  inúmeras reclamações. Ocorre que a Prefeitura vem aproveitando o entulho retirado da Igreja Matriz, para encascalhar algumas ruas da cidade. E, como no local de nosso tradicional templo religioso já existiu um cemitério é natural a presença de ossos humanos entre o entulho que dali vem sendo retirado pelos caminhões da Prefeitura.
O que não é natural é que a ossatura humana venha sendo espalhada pelas ruas, ferindo a sensibilidade cristã do povo cachoeirense. O fato se torna tanto mais inconcebível num país como o nosso, de arraigados sentimentos religiosos, a ponto de se opor à política da cremação de cadáveres.
Enquanto os nossos clero, governo e legisladores se opõem obstinadamente à cremação, a Prefeitura, calcando sobre os pés toda uma gama de arraigados preconceitos, se encarrega de espalhar ossos humanos pelas ruas da cidade. (Coleção do Jornal do Povo – Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico).

Praça Dr. Balthazar de Bem - década 1960 - Fototeca Museu Municipal

A notícia segue citando o caso de um açougueiro que morava a uma quadra da Avenida Brasil que, em razão da existência de ossos humanos nas proximidades de seu açougue, vinha perdendo a freguesia, que se recusava a adquirir carne em seu estabelecimento. Também um morador da Vila De Franceschi estava revoltado com o grande número de ossos humanos depositados em frente à sua residência.

A situação vivida em 1967 não foi a primeira do gênero. Em 1890, obra feita pela comissão administrativa do município, na Praça da Conceição (atual Praça Dr. Balthazar de Bem), causou inquietação nos moradores das redondezas, de forma que os membros da dita comissão solicitaram ao delegado de polícia, Olympio Coelho Leal, que ordenasse o emprego dos presos da cadeia na remoção da ossamenta. A grande quantidade de ossos que surgiu com as obras se devia ao fato de ter sido aquela praça, em tempos passados, parte do grande cemitério que rodeava a Igreja Matriz.


Olympio Coelho Leal - delegado de polícia

Antiga Igreja Matriz - Fototeca Museu Municipal

Como se vê, nossa história também oferece páginas bizarras!

domingo, 11 de junho de 2017

A maxambomba

Um curioso mecanismo instalado no antigo porto de Cachoeira atrai até hoje o interesse das pessoas: a maxambomba. Não só pelo nome estranho – e pouco usual – mas principalmente pelas funções que tal mecanismo desempenhava, assim como quem foi o engenhoso empreendedor de tal novidade.

Antes de tudo é necessário definir a origem da palavra maxambomba, uma corruptela do termo inglês machine pump. A maxambomba é um trole que serve para carga e descarga de mercadorias em uma embarcação. No caso da maxambomba de Cachoeira, a ideia de sua utilização era o de facilitar o carregamento e descarregamento de mercadorias vencendo o terreno em declive no trecho final da Rua Sete de Setembro, que desembocava no rio Jacuí.

O idealizador e responsável pela instalação da maxambomba foi o industrialista Jacob Scheidt, no ano de 1918. O jornal O Commercio (Cachoeira, 1900-1966) assim deu a notícia em 10 de abril daquele ano:

Desde a semana finda começou a trabalhar a maxambombam (máquina a vapor) que o operoso industrialista, nosso amigo Jacob Scheidt, mandou colocar à margem esquerda do Jacuí, próximo ao extremo sul da Rua Sete de Setembro. 

Como é sabido, a praia do Jacuí fica no extremo sul da Rua Moron, sendo a última quadra de um declive fortíssimo, trecho calçado de pedra bruta e que os carroceiros práticos denominaram de “mata-burro”, tal o sacrifício com que os animais vencem a subida, com a carroça carregada. Enquanto sobe, o carroceiro precisa observar, com a máxima atenção, se os animais estão todos puxando a um tempo, sob pena de se estragar, pelo excesso de esforço, um que esteja a forcejar isolado. Assim mesmo, com toda a cautela, os burros duram, no máximo, de três a quatro anos, quando trabalham ininterruptamente naquele ponto. Esse inconveniente ficou removido com o louvável empreendimento do Sr. Jacob Scheidt, pois no lugar em que está situada a maxambomba o barranco é alto (da altura da Rua Sete, naquele ponto). 

Grande concentração de carroças na subida do porto de Cachoeira
- foto reproduzida por Robispierre Giuliani


Vista do grande declive da rampa do porto - fototeca Museu Municipal

As cargas são puxadas do barranco do rio em carros que comportam de 30 a 40 sacos sobre dois trilhos e enquanto um carro sobe, cheio, vai descendo o outro, vazio, para carregar de novo. 

Além da casa para a máquina, o Sr. Scheidt mandou construir vastos armazéns para depósito de cargas, o que muito favorecerá o comércio e as indústrias locais. A montagem dos maquinismos e seus acessórios, bem como a construção dos armazéns já estavam construídos há meses, não tendo sido os trabalhos inaugurados antes, porque a falta de água não permitia a navegação no Jacuí. A inauguração desse serviço causou uma impressão muito agradável, e é de esperar que ao Sr. Scheidt não falte o apoio que bem merece a sua ideia progressista. (Extraído de O Commercio, 10/4/1918, acervo de imprensa do Arquivo Histórico).

A maxambomba foi administrada por Jacob Scheidt até novembro de 1919, quando a Companhia Jacob Becker, de navegação, com sede em Porto Alegre, adquiriu-a por 140 contos de réis. Além da maxambomba propriamente dita, entraram no negócio o terreno em que ela estava assentada e o armazém de madeira. Com a aquisição, a Companhia pretendia ampliar o armazém e fazer melhoramentos no plano inclinado, cujos suportes de madeira seriam substituídos por pilares ou arcos de alvenaria, com cobertura em todo o percurso do trilho, de modo que o trabalho não necessitasse ser interrompido com o mau tempo.

Há um filme retratando Cachoeira na década de 1930 que mostra a maxambomba em funcionamento. Confira no link a seguir.


sábado, 27 de maio de 2017

As graças da Virgem sobre o Netuno

A Igreja Matriz de Cachoeira já havia sido consagrada a Nossa Senhora da Conceição muito antes do dogma da Imaculada, proclamado pela Igreja Católica em 8 de dezembro de 1854*, e antes ainda da construção do templo que hoje domina o Centro Histórico. A consagração vem da criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira, em 1779.

Desde a sua inauguração, em setembro de 1799, a Igreja Matriz tem passado por muitas e significativas reformas. Do original estilo colonial, com força em nosso meio muito pela natureza belicosa do território e, em razão disto, da presença de engenheiros militares, caso do Coronel João Róscio (autor do projeto), passou para o rebuscamento do barroco, fazendo desaparecer, em 1929, a estrutura simples e robusta da fachada original.

Fachada original da Igreja Matriz - fototeca Museu Municipal

A rudeza de seu aspecto oferecia poucos elementos de adorno, dentre os quais arremates trabalhados no frontispício e nas torres, três pequenas sacadas para as quais se abriam portas que encimavam as entradas frontais, um relógio na torre esquerda, um galo no alto da torre direita e uma cruz no vértice do frontão. 

Simplicidade da fachada original - fototeca Museu Municipal

Andaimes para início das obras de 1929 - fototeca Museu Municipal

Pelo projeto de Vitorino Zani, executado a partir de março de 1929, ricos elementos de adorno de inspiração barroca cobriram a fachada, as torres foram erguidas e rebuscadas e o frontispício recebeu a imagem de Nossa Senhora.

Andaimes cobrem o templo - acervo Osni Schroeder

Torres e frontispício concluídos - acervo Osni Schroeder

As obras se estenderam de março, quando foram erguidos os andaimes, até o final daquele ano de 1929, sendo solenemente inauguradas no dia 29 de dezembro. E, como símbolo da nova era que o esplendor das modificações conferiu ao templo, no topo do frontispício, foi assentada a imagem da Virgem Maria, ou da Imaculada Conceição, ou da Medianeira, ou da Senhora das Graças, ícone da devoção católica, em contraponto – quem sabe – ao Netuno do topo do Château d’Eau. O fato é que o Netuno e a Virgem, desde então, encaram-se mútua e disfarçadamente... Ela derrama graças sobre ele que, por sua vez, protege-a dos raios e descargas com a força de seu tridente. 

Netuno e Nossa Senhora - foto Renato F. Thomsen
pontedepedra.blogspot.com.br

*Dogma da Imaculada Conceição: proclamado pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, declarando a santidade da Virgem Maria desde a sua concepção, ou seja, ela já foi concebida pura, livre da mancha do pecado original.

sábado, 13 de maio de 2017

Abolição na Charqueada

Existem datas que são guardadas na memória desde os tempos dos bancos escolares, quando ainda era usual no estudo da história fixar os acontecimentos no tempo, com dia, mês e ano, e associá-los a personagens. Assim, a cada 13 de maio vem à memória a assinatura da lei áurea e a figura da Princesa Isabel, símbolo do rompimento formal, em 1888, do ciclo desumano que foi a escravidão.

Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel - 13/5/1888
- InfoEscola

A propaganda abolicionista ganhou corpo a partir de 1884, espalhando-se pelas cidades e atraindo principalmente jovens também partidários da ideia da república. A luta pela libertação dos negros cativos ganhou vozes poderosas, principalmente no jornalismo.

Em Cachoeira, a propaganda também se fez forte e chama a atenção uma notícia veiculada no jornal A Federação, de Porto Alegre, órgão do Partido Republicano, no dia 10 de outubro de 1884, que revela estar a Charqueada do Paredão prestes a conceder a liberdade a seus 58 escravos. É importante registrar que a Charqueada era, à época, a mais poderosa empresa da cidade e maior contribuinte dos cofres municipais. A sua mão-de-obra devia ser majoritariamente constituída de escravos e libertá-los foi um ato de vanguarda e digno de admiração.

Negros empregados na Charqueada - fototeca Museu Municipal

A notícia, intitulada Abolição na Cachoeira, diz o seguinte:

Segundo nos informou um amigo, é já uma feliz realidade a promessa que fez a importante firma social Viúva Claussen & Cia. relativamente à libertação dos 58 escravos que possuía na Charqueada do Paredão. O Sr. Claudio Bodé, que faz parte da firma e é o gerente da casa estabelecida no Rio Grande, foi propositalmente a Cachoeira conceder as liberdades prometidas, registrando as respectivas cartas no cartório do tabelião Peixoto.

Os novos libertados ficarão sujeitos à prestação de serviços durante tempo determinado, com direito, porém, a um salário razoável.

São hoje, portanto, homens verdadeiramente livres, pois, não obstante o ônus de serviços a que estão obrigados, têm uma justa remuneração pelo seu trabalho.

É digno de seguir-se o grande ato que acabam de praticar os manumissores* sócios da firma Viúva Claussen & Cia.

Provam reconhecer e saber cumprir o dever que lhes impõe a moral de não exercerem o direito de propriedade sobre o seu semelhante, reconhecido e garantido infelizmente pelas nossas leis; e ao mesmo tempo que procuram assegurar a sorte dos beneficiados com a outorga da sua liberdade, dão-lhes trabalho mediante salário, conseguem também braços que mantenham e façam prosperar o seu estabelecimento industrial.

Sem este emprego os libertos, de posse de sua liberdade, ver-se-iam talvez sem abrigo, sem uma colocação capaz de ministrar-lhes os meios de subsistência, lutariam bastante para encontrar trabalho, esse elemento indispensável na vida social a todos os homens.

Se conseguirmos uma minuta das cartas de liberdade dadas pela Viúva Claussen & Cia. aos seus escravos empregados no estabelecimento do Paredão, a reproduziremos como um aviso aos interessados, isto é, aos charqueadores de Pelotas.

Aos distintos sócios daquela firma, com especialidade ao Sr. Claudio Bodé, enviamos as nossas cordiais saudações. (Jornal A Federação, 10/10/1884, p. 2).

Chama atenção na matéria o quanto o jornalista valorizou o ato dos administradores da Charqueada, ressaltando nele a previdência de associar à liberdade os meios para que os escravos conseguissem sua subsistência, clara indicação de que as ideias abolicionistas demonstravam preocupação com o futuro dos libertos e que a "propaganda" não era uma mera bandeira, mas fruto de uma discussão profunda e amadurecida.

*Manumissores: os que concedem a alforria legal de um escravo.

sábado, 15 de abril de 2017

Os 105 anos do Bairro Rio Branco

Em abril de 1912, a imprensa noticiava que as obras para acesso ao futuro Bairro Rio Branco estavam em curso. Constavam de nivelamento do terreno, especialmente nas imediações das linhas da viação férrea, do prolongamento da Rua Moron em direção ao Norte, tomando o nome de Rua Marechal Floriano, e igualmente da Rua 15 de Novembro, recebendo a via o nome de Comendador Fontoura.

Tomada da cidade a partir do novo Bairro Rio Branco
- cartão-postal atribuído a Benjamin Camozato - sem data
- retocado por Ronaldo Bastos


Um dos primeiros cidadãos a adquirir terreno no loteamento feito pela Intendência foi Augusto Wilhelm, mais especificamente na então recém-aberta Rua Comendador Fontoura. Pois Augusto trataria de construir logo uma residência para sua família naquele logradouro, constituindo-se um dos primeiros a erguer casa no novo bairro.

Augusto Wilhelm - fototeca Museu Municipal
      
A casa de Augusto chegou até nossos dias conhecida por Villa Minssen. Mas originalmente ela se chamava Villa Adolfina, em homenagem à esposa de Augusto, Adolfina Moser Wilhelm. Em 1926, a casa foi vendida para João Minssen, casado com Frida, sobrinha de Augusto. O negócio foi fechado por 30 contos de réis, mostrando a rápida valorização que o bairro teve. Quando a Intendência adquiriu de Maria Egypcia da Fontoura a área para abrir o novo bairro, em julho de 1911, o desembolso por cerca de 200.000m2 foi de 5 contos de réis!

Villa Minssen - foto Claiton Nazar

Em sua edição do dia 6 de agosto de 1913, o jornal O Commercio noticiava que o primeiro prédio de custo elevado no “futuroso Bairro Rio Branco” foi o de Augusto Wilhelm. A qualidade da construção, o estilo, a localização e a extensão do terreno justificam o expressivo valor de sua venda 13 anos depois da conclusão. Com a aquisição, João Minssen trocou o nome inscrito no frontão para Villa Minssen.
         
Em 2017, quando a casa chega aos 104 anos, a grata notícia de seu restauro pela família de João Scheidt garante que o Bairro Rio Branco, além da condição de primeiro bairro planejado, agregue aos traços sócio-culturais que carrega a preocupação de manter os tesouros que ajudam a contar a sua mais que centenária história.

Sacada da Villa Minssen - foto reschmidt.blogspot.com

Villa Minssen pronta para o restauro - foto Jornal do Povo
      
Nota: o decreto n.º 125, de 7 de abril de 1912, denominou o loteamento aberto pela Intendência de Bairro Rio Branco.

sábado, 1 de abril de 2017

O Château d'Eau e o R2

Três dias antes da inauguração do Château d’Eau, que ocorreu em 18 de outubro de 1925, o então administrador do município, o vice-intendente João Neves da Fontoura, fez uma apresentação ao Conselho Municipal das obras de saneamento da cidade, com demonstração do investimento e descrição dos principais monumentos que compunham o sistema de distribuição de água da segunda hidráulica:

Dr. João Neves da Fontoura - vice-intendente em exercício - 1925
- fototeca Museu Municipal

“O Château d’Eau, situado no largo da Praça Dr. Balthazar de Bem, defronte ao edifício da Municipalidade, acha-se também concluído, apresentando belo aspecto arquitetônico, concorrendo muito para o embelezamento da cidade.

Château d'Eau e Igreja Matriz entre 1925 e 1929
- fototeca Museu Municipal

A parte arquitetônica foi projetada pelo engenheiro Walter Jobim e a parte de cálculo e estabilidade pelo engenheiro-chefe da Comissão de Saneamento do Estado, Dr. Antonio de Siqueira. As obras de escultura, constante de estátuas e grupos de ninfas e sereias que circundam o Château d’Eau foram executadas nas oficinas de Vicente Friedrichs, de Porto Alegre, sob a direção do professor Giuseppe Gaudenzi.


Château d'Eau recém-construído
- fototeca Museu Municipal

O fim deste Château d’Eau é o de levar a água por gravidade ao reservatório de distribuição à Rua Dr. Júlio de Castilhos, e regular ao mesmo tempo a pressão da água nas zonas mais elevadas.

Reservatório R2

Reservatório R2 - Coleção Joaquim Vidal

Ajardinamento do R2 - Coleção Joaquim Vidal

O R2 quase concluído - Coleção Joaquim Vidal

Esta é a denominação do grande reservatório construído à Rua Júlio de Castilhos, em terrenos comprados à sucessão de Juvencio Pillar Soares.

Esta obra, construída toda de cimento armado, está também terminada, faltando apenas a colocação da balaustrada e pequenos trabalhos de ornamentação, que em nada prejudicam o seu regular funcionamento.

Tem esse reservatório a capacidade de. 1.480 metros cúbicos e serve para abastecer d’água a zona média e parte da zona baixa do projeto do Dr. Saturnino de Britto.

Prevendo o desenvolvimento futuro da cidade, na câmara de manobras do reservatório já ficou espaço necessário para a instalação das bombas e encanamentos precisos que deverão elevar a água à zona alta da cidade, isto é, para o reservatório que deverá então ser construído nas proximidades do Cemitério Municipal.

(...)

Para encher ambos os compartimentos do Reservatório R2, acima referido, as bombas precisam trabalhar durante oito horas e a água ali armazenada será suficiente, então, para o consumo de 60 horas, ou sejam dois dias e meio.

Como se vê, o autor do projeto, Dr. Saturnino de Britto, uma das maiores notabilidades da engenharia sanitária no Brasil, previu amplamente o desenvolvimento futuro da nossa urbe.”


Fonte: Relatório apresentado ao Conselho Municipal pelo Vice-Intendente em exercício Dr. João Neves da Fontoura, em sessão de 15 de outubro de 1925 (IM/GI/AB/Re-005, pp. 15 e 16 - acervo documental do Arquivo Histórico).

A grande obra concluída por João Neves da Fontoura (havia iniciado ao tempo do Capitão Francisco Fontoura Nogueira da Gama, a quem João Neves sucedeu por motivos de saúde) ainda hoje encanta a todos. O Château d'Eau está desativado e não cumpre mais sua função de reservatório de água, mas o R2, no centro da Praça Borges de Medeiros, ainda abastece boa parte da zona alta da cidade. 

Tal qual Saturnino de Britto, também João Neves da Fontoura voltou os olhos para o futuro.

segunda-feira, 27 de março de 2017

As dimensões do Château d'Eau


Château d'Eau - 25/3/2017 - ato de entrega do restauro
- foto Renato F. Thomsen
No dia 25 de março de 2017, o Château d'Eau foi reaberto à comunidade, depois de 10 meses de processo de restauração. Naquele dia, tive a honra de representar o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural - COMPAHC em pronunciamento de saudação ao retorno de nosso principal cartão-postal à sua magnitude. Eis o discurso proferido na ocasião:  

Foto Renato F. Thomsen
                                                                                                            
A DIMENSÃO SIMBÓLICA. Muitos de nós sabíamos da dimensão simbólica do Château d’Eau, das mensagens subliminares que ele continha enquanto monumento em interação com o seu entorno, com a história e o povo de Cachoeira do Sul. Mas estávamos cegos e surdos... As camadas do tempo e da falta de cuidado encobriram a sua capacidade de dialogar conosco. Ou nós, obtusos, perdemos a sintonia com ele... Seu estado fez com que adquiríssemos um certo constrangimento de apresentá-lo aos visitantes, cartão-postal que sempre foi, e as fotos que registravam nossos melhores momentos passaram a buscar ângulos favoráveis.

A DIMENSÃO HISTÓRICA. 91 anos de história perpassam gerações. As primeiras, testemunhas da construção e inauguração do Château d’Eau em 1925, experimentaram a beleza do monumento em sua condição de recém-construído,  vivenciaram a movimentação dos operários, dos engenheiros, dos técnicos que realizaram o milagre da distribuição de água para um maior número de casas, ampliando a área atingida. Devem ter sentido a emoção de ver a colocação do deus Netuno, com seu tridente, dominar os céus e as ninfas que em torno dele se assentaram. Obras do mestre Giuseppe Gaudenzi executadas por João Vicente Friedrichs. Sua chegada, provavelmente na Estação Ferroviária, em grandes caixas de madeira protegidas de palha, não passaram despercebidas. Tais figuras mitológicas passaram a habitar o cotidiano, remetendo à antiguidade e aos mistérios de deuses e sábios do passado. Hoje nos surpreendemos o quanto de tempo, conhecimento e visão de futuro Walter Jobim, o engenheiro responsável pela parte arquitetônica da obra, e Antônio de Siqueira, pelos cálculos e estabilidade, empregaram para planejar este fascinante monumento. E somos levados a pensar que a funcionalidade do passado podia ser expressa em simbologia e beleza e que para isto era preciso domínio de técnicas sofisticadas em um mundo ainda com pouca tecnologia. Mas com o distanciamento temporal, assim como a estrutura física, também a relevância histórica precisa ser restaurada e repassada às gerações que não testemunharam o seu surgimento.

A DIMENSÃO DA RECUPERAÇÃO. A contemplação do Château d’Eau agora, em semelhante aspecto de quando foi inaugurado há quase 92 anos, nos leva a crer que assim como enquanto pessoas temos a capacidade de recuperar nossa auto-estima, também os monumentos, especialmente aqueles que traduzem o nosso meio, a nossa cultura e a nossa cidadania, ao serem restaurados em sua estrutura conferem à cidade a condição de reencontrar-se com sua história e tomar partido dela para acreditar em desenvolvimento, em superação e em um futuro de novas conquistas. O mestre Antônio Sarasá, protagonista do restauro do Château d’Eau, promoveu em cada um de nós, de acordo com a  capacidade de entendimento individual, uma espécie de comunhão entre a  materialidade do monumento e sua simbologia. E, por nossa conta, fomos além: não conseguimos mais dissociar a harmonia e a grandiosidade dos elementos que compõem o nosso centro histórico. Paço, Château d’Eau e Catedral são a expressão máxima do quanto a civilidade, o empreendedorismo e a visão prospectiva marcaram os movimentos dos nossos antepassados, ditando o presente e o futuro.

A DIMENSÃO DO AGRADECIMENTO. 25 de março de 2017. Dia de celebração e de agradecimento. À CORSAN – Companhia Riograndense de Saneamento, patrocinadora do restauro e ao Estúdio Sarasá, executor das obras, destacando Antônio Sarasá e sua equipe de operários, cuja interação com a comunidade foi especial;  ao Executivo Municipal em sua gestão anterior e atual; aos colegas conselheiros do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural – COMPAHC, aos cidadãos voluntários pela preservação do patrimônio histórico e muito especialmente, in memoriam, a Nelda Scheidt e seu excepcional olhar sobre o Château d’Eau. Nelda, onde estiveres, ele voltou a realçar tudo aquilo que o teu olhar nos fez enxergar. E como agradecimento combina com pedido: Senhor Presidente da CORSAN, o Château d’Eau em sua funcionalidade trabalhava em conjunto com outra maravilha arquitetônica de nosso patrimônio: o reservatório enterrado da Praça Borges de Medeiros. Olhe por ele, ouça seu pedido de socorro e atenda-o.

A DIMENSÃO DA RESPONSABILIDADE. O COMPAHC, criado em 1981, sentia-se responsável e era cobrado como tal pela recuperação dos bens do nosso patrimônio histórico e tomou para si o compromisso de buscar meios de trazer o Château d’Eau de volta à condição de nosso principal cartão-postal, atendendo a cobranças da própria comunidade. Muitas reuniões de discussões, de estudos, de levantamento de patologias e análises de problemas estruturais foram realizadas. Alguns conselheiros, especialmente os que possuíam conhecimento técnico, ofereceram seus préstimos para que chegássemos ao dia de hoje. E agora que recebemos de volta o nosso ícone, joia preciosa do tesouro urbano, caberá a cada um de nós zelar pela sua integridade e entendê-lo como documento afirmativo de uma verdade: povo que guarda seu passado não perderá jamais a sua identidade.

Em nome do corpo de conselheiros do COMPAHC, meu muito obrigada! A vivência deste momento já o tornou inesquecível!

Cachoeira do Sul, 25 de março de 2017.

Mirian R. M. Ritzel,

Vice-presidente do COMPAHC.

Foto Renato F. Thomsen

No mesmo ato, o Château d'Eau foi declarado patrimônio histórico-cultural do Rio Grande do Sul, sendo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado - IPHAE, quando o Secretário de Estado da Cultura,  Vitor Hugo, acompanhado pela presidente do IPHAE, Míriam Sartori Rodrigues, assinaram com o prefeito e outras testemunhas a portaria de tombamento.

Secretário de Estado da Cultura, Vitor Hugo, prestes a assinar o tombamento do Château d'Eau
- foto Renato F. Thomsen

Para assistir ao pronunciamento, clique no link abaixo. Agradecimento a Renato F. Thomsen:

Recomendado: Château d'Eau: símbolos que vivem, de Flávia Sutelo - Estúdio Sarasá:

segunda-feira, 20 de março de 2017

Teatro Municipal - uma dívida que atravessou décadas

Pode-se dizer que Cachoeira teve tradição em erguer casas de espetáculos para o entretenimento da população. Tais casas logicamente representavam o seu tempo, ou melhor, atendiam ao tipo de diversão da época. Foi assim no século XIX, com os teatros, e no século XX, com os cinemas. 

A primeira grande casa do gênero que se levantou em Cachoeira foi o Teatro Cachoeirense, erguido antes da Revolução Farroupilha, com incríveis 500 lugares! Cabia quase toda a população da Vila Nova de São João da Cachoeira lá dentro! Há divergências a respeito da finalização desta obra, mas o fato é que em abril de 1830 houve a encenação de uma peça jocosa no seu palco, estando a assistência lotada. A classe comerciária, então chamada de caixeiral, foi a responsável por erguer o tal templo das representações, um forte sinal de que o comércio era a grande força econômica nos primeiros tempos, sendo fundamental para o crescimento e a ascensão da freguesia à vila e depois da vila à cidade!


Teatro Cachoeirense - fototeca Museu Municipal

Do Teatro Cachoeirense há poucas notícias. Seu prédio estava ali quando teve começo a construção da Casa de Câmara, Júri e Cadeia, em 1861, e bem mais tarde, no final de 1885, uma correspondência do delegado de polícia recomendava aos vereadores que gradeassem uma janela da cadeia que “dava para o pátio (...) de forma que qualquer preso não possa servir-se dela para galgar o muro que tem do lado do Teatro desta cidade”. Quase vinte anos depois, a Intendência contratou a construção de um muro “na parede do lado sul do teatro velho que foi  incendiado”. Esta informação de 1909 confirma, embora não haja documento descrevendo o sucedido, que o “teatro velho”, ou o Teatro Cachoeirense, havia sido consumido pelo fogo, provavelmente na virada do século XIX para o século XX.


A Intendência e o Teatro Cachoeirense - fototeca Museu Municipal

Talvez em razão da perda do primeiro teatro, o povo de Cachoeira logo começou a sonhar com outro. As tratativas para isto envolveram pessoas influentes da comunidade, de forma que o intendente David Soares de Barcellos, homem que se depreende fosse apreciador das artes, uma vez que mantinha uma orquestra familiar integrada pelos filhos, empenhou-se sobremaneira para a construção do Teatro Municipal. A Intendência passou a emitir apólices com o intuito de arrecadar recursos para a obra que foi inaugurada no Natal de 1900.


Construção do Teatro Municipal - fototeca Museu Municipal

Teatro e Intendência Municipal - fototeca Museu Municipal

Levando em consideração o investimento na construção e o pouco tempo de funcionamento do Teatro (menos de oito anos), arruinado pelo desmoronamento do telhado**, a ideia das apólices resultou em uma dívida aos cofres municipais que levou mais de 60 anos para ser saldada!

Sobre isto a edição do Jornal do Povo de 24 de setembro de 1961 estampou:

Prefeitura vem resgatando apólices emitidas em 1900 para a construção do Teatro Municipal

“No período de 1900 a 1924, o Município emitia um determinado número de apólices visando mealhar fundos para a compra de terrenos e a construção do Teatro Municipal e quartéis militares. As apólices emitidas em 1924 eram assinadas pelo então intendente Aníbal Loureiro, pelo contador Wladimir Nogueira e pelo tesoureiro Augusto Cézar de Lima, sendo seu valor nominal de 1.000,oo cruzeiros, rendendo juros de 10% aos adquirentes. Quanto às emitidas em 1900, eram do mesmo valor nominal, rendendo porém um menor juro anual (8%), sendo rubricadas pelo intendente David S. Barcellos, Galvão de Abreu, Alfredo Xavier da Cunha, Pedro Kieper, Manoel Paes de Freitas, José Friedrich e Júlio Jacobim*. A colocação desses valores permitiu ao Município colimar seus objetivos: os terrenos foram adquiridos. Um deles, entregue ao governo para a construção dos quartéis e que corresponde àquele onde até hoje se situam nossas guarnições militares. Sobre o outro imóvel ergueu-se o Teatro Municipal que funcionou até por volta de 1907 (...)."

E o jornal segue a matéria dizendo que até aquele momento o município estava resgatando essas apólices, sobre as quais pagava juros. Havia procedido ao resgate de 37, restando ainda 44 a serem resgatadas...

Sem condições de recuperar os estragos advindos do desabamento, a Intendência passou o prédio em 1913 para o governo estadual para que nele fosse instalado o fórum e o Colégio Elementar Antônio Vicente da Fontoura. 

Como se vê, grande foi o investimento, pequeno o retorno do portentoso prédio do Teatro Municipal. A dívida contraída pela municipalidade com as apólices a juros demorou décadas para ser saldada. Mesmo assim é de se lamentar que o prédio tenha desaparecido e, se porventura ainda existisse, comporia com grande garbo o já rico conjunto arquitetônico de nosso Centro Histórico.

*Foi mantida a grafia utilizada pelo jornal nos nomes próprios referidos na matéria transcrita.
**http://historiadecachoeiradosul.blogspot.com.br/search?q=desmoronamento+do+teatro+municipal

segunda-feira, 13 de março de 2017

Ruben Otto Prass - simplesmente genial, genialmente simples

Ruben Prass na direção do Prass 1956 - acervo familiar

Alguém um dia disse que “os homens vão, mas ficam suas obras”. De Ruben Otto Prass, que partiu no dia 11 de março de 2017, pode-se fazer um inventário enorme de obras, fruto da sua genialidade e de um espírito inventivo advindo da dedicação extrema e incansável à sua paixão: a eletricidade.

Desse homem que viveu 92 anos produtivos não serão lembradas somente as obras, boa parte delas em pleno funcionamento dentro do recinto do seu lar e da esposa Ieda, mas também a fama da genialidade e a associação popular de sua figura à do Professor Pardal dos quadrinhos de Walt Disney! Fama que, aliás, não é desmedida, uma vez que ele foi o fabricante do primeiro carro artesanal do Brasil, o Prass 1956, carinhosamente apelidado pela família de “autinho”, e que ganhou divulgação nacional em 2009, quando o programa Auto Esporte, da Rede Globo, levou ao ar a história do carro construído a partir do motor de uma motocicleta!

Pela residência dos Prass vários inventos de Ruben garantiram a facilitação das atividades domésticas da D. Ieda, como fornecimento de água quente para toda a casa por meio da captação de energia solar, elevador feito com correias de bicicletas para condução ao terraço, onde fica o varal, climatização da casa inteira com um único aparelho de ar-condicionado, que também funciona como secadora de roupas, e até um aparelho de ultrassom para espantar mosquitos!

Nascido em Candelária no dia 5 de junho de 1924, filho de Rodolpho Prass e Elizabetha Jensen Prass, Ruben Otto veio para Cachoeira, onde trabalhou, do final dos anos 1930 até meados dos anos 1940, na Casa Elétrica de Guilherme Matte. Em 1949, com o irmão gêmeo Reimar Hugo, instalou a firma Centro Rádio Elétrico. E como eletrotécnico, prestou muitos e variados serviços: instalações elétricas em prédios e residências, manutenção técnica de emissoras de televisão e rádio, assistência a casas de cinema, como o Cine Ópera Astral, desde a sua abertura em 1953 até o seu fechamento em 2003, e recentemente do Cine Via Sete. A modernidade e a evolução tecnológica, antes de assustá-lo, o estimulava em sua genial capacidade de entender os mistérios da eletroeletrônica.

Trabalhando até o fim - 1/3/2017 - foto Elizabeth Thomsen

A trajetória de vida de Ruben Otto Prass não se esgota em sua extrema capacidade profissional e criativa. Ganha projeção também e muito significativamente no envolvimento comunitário e nas ações voluntárias em prol de entidades e espaços públicos.
Voltando à frase que alguém disse: “os homens vão, mas ficam suas obras”, de Ruben Otto Prass ainda é preciso dizer mais. Que fique registrado o sorriso franco e a imensa simplicidade, a família que constituiu com Eli Ieda Homrich Prass (Elizabeth, Lúcia, Roberto, Elaine e Luciana), as infindáveis horas que passou a consertar e criar, as soluções geniais que encontrou para os desafios diários. Ficou dele o legado de homem simplesmente genial e genialmente simples que tinha o dom sofisticado de inventar e a singeleza de alimentar pássaros pela manhã. 
Nota: este texto é para Elizabeth Thomsen, companheira de lutas em prol da preservação da memória de Cachoeira do Sul e, em seu nome, extensivo a toda a família de Ruben Otto Prass.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Hilda Goltz - uma grande mulher grande

Hilda Goltz, nascida em Cerro Branco, então distrito de Cachoeira, em 29 de junho de 1908, poderia renascer hoje e ainda assim chamar a atenção, apesar do distanciamento temporal e da escalada da mulher na sociedade de lá para cá.


Hilda Goltz em foto de 2008
A personalidade forte de Hilda já dava sinais desde a sua tenra idade e, talvez por ser a quinta filha dos sete que Carlos Goltz e Ida Stecker Goltz tiveram, a menina era satisfeita em seus desejos. Aos seis anos, interessada em reproduzir o universo que a cercava, começou a moldar com o barro vermelho de um riacho figuras dos animais que havia nos campos de seus pais. Na adolescência, descobrindo que amigas que estudavam em São Leopoldo tinham aulas de pintura, pediu aos pais que lhe comprassem tintas. E assim começou a pintar, realizando-se quando encontrou em Cachoeira o pintor, fotógrafo e proprietário de ateliê Frederico Guilherme Lobe, com quem passou a ter aulas. Lobe revelava e fazia cópias de fotografias, arte na qual Hilda também se iniciou. E deve ter sido ótima aluna porque quando Lobe foi embora para Porto Alegre, ela assumiu as suas aulas na cadeira de Desenho da Escola Complementar de Cachoeira.


A jovem Hilda Goltz - fototeca Museu Municipal

Por esta época, abriu seu próprio ateliê de fotografia, no sobrado Barcellos, na Rua Sete de Setembro. Dentre a clientela, famílias importantes de então, como os Ilha e os Wilhelm.


Sobrado Barcellos (pertencia à família de David S. de Barcellos)
- fototeca Museu Municipal


Lya, Rolf e Ila Wilhelm fotografados por Hilda Goltz
- fototeca Museu Municipal


Mas Cachoeira era pequena para as pretensões artísticas de Hilda Goltz. Certamente também pequena para a mulher avançada que era, a ponto de escandalizar alguns ao se dirigir sozinha às lavouras de arroz com telas, pincéis e tintas para registrar os trabalhadores... E não conseguiria passar despercebida por ninguém, haja seus quase dois metros de altura...



Hilda Goltz com tela e pincéis
- fototeca Museu Municipal

De Cachoeira seguiu para Porto Alegre e de lá para o Rio de Janeiro, onde foi introdutora e primeira professora da cadeira de Cerâmica da Escola Nacional de Belas Artes da Universidade do Brasil. Em seu ateliê, no bairro de Ipanema, produzia peças que ganharam exposições por todo o país e fora dele. Mais tarde mudou-se para Miguel Pereira, região serrana do Rio, para Brasília e finalmente para a terra natal, onde faleceu aos 101 anos em 12 de outubro de 2009.


Exposição comemorativa do centenário de Hilda Goltz no Museu Municipal

Hilda Goltz ousou ser diferente e associou à sua grande estatura a trajetória de mulher que não se curvou aos ditames do século em que nascera. Venceu-o, ousando ser protagonista na vida e na arte.

Nota: em 2008 o Arquivo Histórico e Museu Municipal lançaram o caderno de história n.º 4 sobre Hilda Goltz, em comemoração ao seu centenário de nascimento, com a participação da homenageada.