Espaços urbanos

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Ponte do Fandango - foto Mireila Moro

domingo, 11 de junho de 2017

A maxambomba

Um curioso mecanismo instalado no antigo porto de Cachoeira atrai até hoje o interesse das pessoas: a maxambomba. Não só pelo nome estranho – e pouco usual – mas principalmente pelas funções que tal mecanismo desempenhava, assim como quem foi o engenhoso empreendedor de tal novidade.

Antes de tudo é necessário definir a origem da palavra maxambomba, uma corruptela do termo inglês machine pump. A maxambomba é um trole que serve para carga e descarga de mercadorias em uma embarcação. No caso da maxambomba de Cachoeira, a ideia de sua utilização era o de facilitar o carregamento e descarregamento de mercadorias vencendo o terreno em declive no trecho final da Rua Sete de Setembro, que desembocava no rio Jacuí.

O idealizador e responsável pela instalação da maxambomba foi o industrialista Jacob Scheidt, no ano de 1918. O jornal O Commercio (Cachoeira, 1900-1966) assim deu a notícia em 10 de abril daquele ano:

Desde a semana finda começou a trabalhar a maxambombam (máquina a vapor) que o operoso industrialista, nosso amigo Jacob Scheidt, mandou colocar à margem esquerda do Jacuí, próximo ao extremo sul da Rua Sete de Setembro. 

Como é sabido, a praia do Jacuí fica no extremo sul da Rua Moron, sendo a última quadra de um declive fortíssimo, trecho calçado de pedra bruta e que os carroceiros práticos denominaram de “mata-burro”, tal o sacrifício com que os animais vencem a subida, com a carroça carregada. Enquanto sobe, o carroceiro precisa observar, com a máxima atenção, se os animais estão todos puxando a um tempo, sob pena de se estragar, pelo excesso de esforço, um que esteja a forcejar isolado. Assim mesmo, com toda a cautela, os burros duram, no máximo, de três a quatro anos, quando trabalham ininterruptamente naquele ponto. Esse inconveniente ficou removido com o louvável empreendimento do Sr. Jacob Scheidt, pois no lugar em que está situada a maxambomba o barranco é alto (da altura da Rua Sete, naquele ponto). 

Grande concentração de carroças na subida do porto de Cachoeira
- foto reproduzida por Robispierre Giuliani


Vista do grande declive da rampa do porto - fototeca Museu Municipal

As cargas são puxadas do barranco do rio em carros que comportam de 30 a 40 sacos sobre dois trilhos e enquanto um carro sobe, cheio, vai descendo o outro, vazio, para carregar de novo. 

Além da casa para a máquina, o Sr. Scheidt mandou construir vastos armazéns para depósito de cargas, o que muito favorecerá o comércio e as indústrias locais. A montagem dos maquinismos e seus acessórios, bem como a construção dos armazéns já estavam construídos há meses, não tendo sido os trabalhos inaugurados antes, porque a falta de água não permitia a navegação no Jacuí. A inauguração desse serviço causou uma impressão muito agradável, e é de esperar que ao Sr. Scheidt não falte o apoio que bem merece a sua ideia progressista. (Extraído de O Commercio, 10/4/1918, acervo de imprensa do Arquivo Histórico).

A maxambomba foi administrada por Jacob Scheidt até novembro de 1919, quando a Companhia Jacob Becker, de navegação, com sede em Porto Alegre, adquiriu-a por 140 contos de réis. Além da maxambomba propriamente dita, entraram no negócio o terreno em que ela estava assentada e o armazém de madeira. Com a aquisição, a Companhia pretendia ampliar o armazém e fazer melhoramentos no plano inclinado, cujos suportes de madeira seriam substituídos por pilares ou arcos de alvenaria, com cobertura em todo o percurso do trilho, de modo que o trabalho não necessitasse ser interrompido com o mau tempo.

Há um filme retratando Cachoeira na década de 1930 que mostra a maxambomba em funcionamento. Confira no link a seguir.


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