Espaços urbanos

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Centro Histórico - Foto Eduardo Schroeder

domingo, 15 de abril de 2018

As pedras do antigo porto

Muitas vezes o silêncio protege a história. Ou a ignorância da sua concretude. Tem sido assim com as velhas pedras que calçam o início da Moron, quando ela nasce lá no Jacuí, ainda mergulhada nas águas.


As grandes e irregulares pedras estão ali desde o início da década de 1850, quando Fidêncio Pereira Fortes empreitou a obra de construção da rampa de embarque e desembarque do porto da Vila Nova de São João da Cachoeira.


Cartão-postal em que se vê claramente as pedras da rampa da Moron
- Fototeca Museu Municipal

A navegação era, naqueles meados do século XIX, importante modal de transporte. O Jacuí, em sua magnitude de águas, permitia o trânsito de embarcações até 58 toneladas já no início da década de 1840, quando Antonio Kussmann e Nicolau Faller começaram a navegação comercial entre Rio Pardo e Cachoeira. Mas faltava um porto organizado, com uma rampa que garantisse comodidade ao trânsito no embarque e desembarque.

Em outubro de 1852, a Câmara de Cachoeira solicitou ao engenheiro Frederico Heydtmann uma planta e orçamento da rampa que chegou à cifra de 9:524$200 réis, considerada vultosa. Em janeiro de 1853, Fidêncio Pereira Fortes conseguiu arrematar a obra por 3:169$200 réis a menos. Como era praxe naquela época, apresentou como fiador Antônio Pereira Fortes e teve que aguardar que a presidência da Província aprovasse a arrematação, o que se deu em 4 de maio de 1853.

 Dentre as cláusulas do contrato de arrematação, estava prevista a entrega da obra para vistoria em dois anos, não sem antes comunicar, com a antecedência de dois meses, a conclusão de cada uma das etapas, como construção de alicerces, desaterro e empedramento, para que fossem examinadas por comissão designada pelas autoridades. O pagamento do valor contratado seria feito em três parcelas, sendo a mais alta, no valor de 3:177$500, no ato da portaria de arrematação, e as outras duas, no valor de 1:588$750 cada, quando a obra estivesse na metade e, por último, na conclusão.

O início das obras apresentou uma dificuldade imprevista ao arrematante. Um grande banco de pedra vermelha encontrado no local causou sobrecarga de trabalho para escavação, obrigando Fidêncio a solicitar indenização e apresentar orçamento suplementar. Aprovado o aumento no valor, o arrematante precisou solicitar adição no tempo de entrega em mais um ano.

Após todos os percalços surgidos, Fidêncio Pereira Fortes finalmente entregou a primeira parte da rampa e calçada do porto em 1.º de dezembro de 1856, não deixando de alertar que deveriam ser tocadas as obras de construção dos paredões, calçada e empedramento até o banco de pedra vermelha. Em 7 de abril de 1857 a Câmara abriu concorrência para o restante das obras, sendo vencedor José Ferreira Neves, tendo como fiador Antônio Vicente da Fontoura.

Há mais de 160 anos as pedras assentadas por Fidêncio Pereira Fortes estão no nascedouro da Moron. Submetem-se, desde 1856, ao vai e vem das águas do Jacuí. Agora, como que tomadas de vida, andam assoprando nos ouvidos dos pescadores que por ali deixam suas canoas que têm medo do asfalto. Não são contra o progresso, como alguns insistem em afirmar. Elas querem mesmo é preservar sua história.


           
Fotos: Cristina da Gama Mór
Fonte: Cachoeira do Sul em busca de sua história, de Angela S. Schuh e Ione M. Sanmartin Carlos. Martins-Livreiro Editor, Porto Alegre, 1991.

domingo, 1 de abril de 2018

O Roberto da Música


Existem pessoas que apesar de terem desaparecido há dezenas de anos, vez ou outra têm seus nomes trazidos à tona, ora por um fato resgatado em algum documento, ora pela marca que imprimiram em seu distanciado tempo de vida. Uma destas figuras é o “Roberto da Música”, que emerge dos tempos idos, regendo bandas e dando tom aos sonhos coletivos de operários na velha Cachoeira do final do século XIX.

Roberto Francisco Silva, filho de José Francisco da Silva, nasceu em 7 de junho de 1860. Duraria apenas 49 anos, falecendo em 10 de novembro de 1909. Detalhes de sua curta vida são praticamente desconhecidos, talvez pelo seu caráter reservado e extremamente discreto. Não fosse por um artigo publicado no Jornal do Povo de 30 de junho de 1947, autoria de Gustavo Peixoto, ainda menos seria possível saber desta interessante personagem histórica.

Disse Gustavo, por ocasião da inauguração do retrato de Roberto Silva na Liga Operária Cachoeirense:

 “O Roberto da Música. (...) Assim o conheci, quando da minha infância. Admirava-o em sua boa vontade e maestria na banda de música na qual era estimado por seus companheiros, discípulos e toda a Cachoeira. Era de ver e admirar a banda de música por ele regida! ORDEM! RESPEITO! HARMONIA! AFINAÇÃO E ASSEIO.
Nos bailes, quando o terno era regido por ele, maior tornava-se o número de famílias. (...)
Ainda bem me lembro da banda de música do Clube Caixeiral, composta e formada pelos rapazes de nossa sociedade e que escolheram Roberto para organizar tão saudoso conjunto musical. E me vem à lembrança ainda (...) de uma retreta à frente da sede do clube, o sobrado dos Barcellos, em que a rapaziada toda fardada, com instrumentos novos e reluzindo, executava admiráveis peças de seu repertório e eu, guri, apaixonado por tudo aquilo, segurava o papel da música para um dos integrantes fazer a execução. E a banda era regida ali por David Soares Barcellos Filho, o nosso coletor federal, que na clarineta fazia o canto; também ali estavam Lúcio Gauss, filho do saudoso professor Gauss, no bombardão; Luiz Leão, o inesquecível cachoeirense, no bombo e pratos; o não menos saudoso Ceciliano Teixeira, fiscal federal, no piston, e tantos outros. Mas, de um lado, modesto, recolhido a um canto estava o maestro de fato, aquele que tudo organizara e para quem os olhares e atenção de todos estavam voltados: O ROBERTO DA MÚSICA.

O sobrado dos Barcellos - Rua 7 de Setembro - Fototeca do Museu Municipal

Os anos passaram... Entrei, por uma destas coisas da vida, para a Liga Operária Cachoeirense e me fui à papelada e livros de sua biblioteca e, com imensa satisfação e alegria, me encontrei de novo com o Roberto da Música e fiquei mais satisfeito por saber de uma outra qualidade sua – fundador e primeiro presidente da Liga! Cresceu o conceito do Roberto em mim. Compreendi e avaliei os trabalhos por que passara para chegar à fundação da sociedade que, hoje, sem medo de errar, é a mais antiga de minha terra. Os que sucederam a Roberto souberam conservar o que ele com enormes sacrifícios fizera. – Sim – enormes sacrifícios – hoje para o operário tudo é fácil, tem leis que o amparam (...), mas, naqueles tempos, o operário nada tinha e nem podia ter e que se quisesse ter era tido como anarquista e logo preso e mal visto. – Por isto tudo, calculo o quanto trabalhou Roberto, ao lado de seus companheiros e outros, para conseguir fundar a Liga! (...)

Roberto era tido como cidadão respeitado e de todo acatamento – estes predicados fizeram ser escolhido pela comissão que veio de Porto Alegre para fundar uma sociedade de operários, e a polícia, que não consentia reuniões dos operários, teve que ceder, teve que se submeter e acatar o homem que tão benquisto era em Cachoeira. (...)

Como ia dizendo, entrei na Liga e vi mais a qualidade de quanto era estimado e querido por todos o nosso Roberto da Música. E nunca pensei que os de hoje, os que aqui vêm e gozam seus benefícios, que gozam seu edifício, não têm olhos para verem no REGISTRO DA SAUDADE o fundador de tão grande entidade de classe! – O RETRATO DE ROBERTO – POR ISSO FALEI – RECLAMEI (...) – e vi com satisfação que todos se prontificaram a colaborar no resgate de tão importante débito – a inauguração na sala principal da figura do maior entre os maiores sócios desta benemérita instituição e hoje aí está, simples, modesta como ele era, mas GRANDE EM SUA BONDADE, EM SEU ESPÍRITO DE ORGANIZAÇÃO, RETO EM SEUS DEVERES E ESPOSO E PAI AMANTÍSSIMO. – Aí está para os olhos de todos o 1.º presidente da Liga Operária Cachoeirense! Meus respeitos. (...)

Roberto Silva - 1.º presidente da Liga Operária

De fato a Liga Beneficente Operário Internacional Cachoeirense, hoje Liga Beneficente Operária Cachoeirense, foi fundada por Roberto Silva e outros em 1.º de novembro de 1897. Foi ele escolhido o seu primeiro presidente.

Segundo Ícaro Bittencourt, em O Mutualismo Operário em Cachoeira (1897-1923): o Caso das Sociedades Beneficentes Liga Operária Internacional Cachoeirense e União Operária 1.º de Maio, UFSM, 2008, a Liga oferecia aos seus sócios ajuda médica, auxílio farmácia, auxílio judiciário, enterro, escola, biblioteca e lazer. Um ano depois da fundação, há o registro do estabelecimento de uma aula em sua sede, recebendo o professor os proventos de 15.000 réis por três aulas semanais.

E justamente por este caráter assistencial da Liga que Gustavo Peixoto escreveu seu artigo, encerrado com o apelo de que os sócios destinassem um auxílio pecuniário a Clarice Silva, viúva de Roberto, anciã que se via desprovida de amparo, a despeito do muito que seu marido representara para aquela instituição. E encerrou seu apelo dizendo:

Embora pequena esta pensão, para nós é grande, porque todos os meses temos na presença o nosso saudoso fundador e maior esta pensão é para vós, respeitável senhora, porque vereis nela que não somos ingratos, que temos na lembrança a figura sempre alegre e modesta do nosso Roberto. (...) Tenho dito!

Independente de ter sido o intento de Gustavo Peixoto atendido ou não, o fato é que as palavras que empregou em seu artigo ofereceram um facho de luz sobre a figura do Roberto da Música, já desbotada pelo tempo, o Roberto Silva que hoje dá nome a uma das ruas da cidade, pálida homenagem ao grande e discreto homem que foi.

terça-feira, 13 de março de 2018

Joaquim Vidal - um artífice da cidade

O pelotense Joaquim de Almeida Vidal desembarcou em terras cachoeirenses aos 19 anos. Encontrou na progressista cidade um vasto campo para suas habilidades criativas, abarcadas em um leque de possibilidades. O desenhista, projetista e decorador foi o responsável por grande parte do embelezamento urbano a partir da década de 1920, embora hoje pouco se atribua oficialmente ao seu gênio criador.

Joaquim Vidal - Grande Álbum de Cachoeira,
de Benjamin Camozato - 1922

A chegada a Cachoeira, em 1915, foi para trabalhar na Agência Singer, revendedora das renomadas máquinas de costura Singer, então estabelecida na Rua 7 de Setembro. O convívio com o mundo da costura deve ter-lhe servido de escola para desenvolver uma de suas habilidades – a de compor fantasias, peças de indumentária e elementos decorativos para vitrines, festas e bailes.

Por volta de 1919, Joaquim Vidal foi admitido como servidor na Intendência Municipal (prefeitura), atuando na então Secretaria de Obras Públicas, setor encarregado por obras e conservação de ruas, praças e jardins, dentre outros serviços. Dedicou-se à municipalidade durante 35 anos, sendo responsável por obras de embelezamento das praças Borges de Medeiros, Dr. Balthazar de Bem e José Bonifácio, com destaque para a cancha de basquete.

Remodelação da Praça José Bonifácio - Álbum Joaquim Vidal

Ajardinamento na Praça Borges de Medeiros e Reservatório R2
- Álbum Joaquim Vidal

Nas grandes obras que envolveram a construção do Château d’Eau e do Reservatório R2, lá esteve Joaquim Vidal, tendo provavelmente opinado nas intervenções que se sucederam à construção destes importantes reservatórios da rede de distribuição de água. Aliás, o acompanhamento destas obras legou aos nossos dias um valioso álbum em que registrou fotograficamente todas as etapas do saneamento, o que infere a sua participação em todo o processo que se desenvolveu sob o comando do intendente João Neves da Fontoura, com orientação técnica dos grandes sanitaristas da época.

Construção do Château d'Eau - Álbum Joaquim Vidal

Muitas também são as casas e edifícios que projetou, tanto para Cachoeira do Sul como para outras cidades, como provam várias plantas resguardadas no acervo do Arquivo Histórico. Os pavilhões da VI Festa Nacional do Trigo, realizada em Cachoeira, em outubro de 1956, saíram de suas pranchetas. Igualmente as instalações da VII Festa Nacional do Trigo, acontecida na cidade de Passo Fundo, em 1957, foram por ele projetadas.

Uma das tantas obras de Joaquim Vidal - grande parte delas segue no anonimato - é o estádio municipal, que ostenta o seu nome. A inauguração, em dezembro de 1939, se deu com um jogo de futebol entre o Grêmio e um combinado cachoeirense. Obra de vulto, o primeiro grande destaque do estádio municipal foi ter sediado a abertura da Festa do Arroz, em março de 1941, festa que aliás contou com a grande criatividade de Joaquim Vidal, Artibano Savi e Torquato Ferrari na decoração de importantes vitrines do comércio daquela época, como as das casas Augusto Wilhelm e  Alaggio.

Estádio Municipal na Festa do Arroz - 1941 - Álbum Lucy Ribeiro
Vitrine da Casa Augusto Wilhelm
- Cachoeira Histórica e Informativa,
de Vitorino e Manoel Portela
Vitrine da Casa Alaggio
- Cachoeira Histórica e Informativa,
de Vitorino e Manoel Portela
Os três grandes nomes na decoração da cidade 
na Festa do Arroz - 1941
- Joaquim Vidal, Artibano Savi e Torquato Ferrari

Joaquim de Almeida Vidal faleceu há 60 anos, no dia 13 de março de 1958. 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

As brumas do tempo...

As brumas do tempo guardam segredos... 

Um bom mistério da história de Cachoeira é o caso do Instituto Sagrado Coração de Jesus, um educandário mantido por freiras que, apesar do beneplácito das autoridades e do investimento em um grandioso prédio no Bairro Rio Branco, acabou naufragando sob duras críticas do pároco da Igreja Matriz...

Esta história teve início em 1916, quando algumas irmãs da Companhia de Maria* chegaram à cidade com a intenção de estabelecerem uma escola para meninas. Na falta de um prédio adequado, instalaram-se provisoriamente na Rua 15 de Novembro, esquina da Rua General Câmara, em propriedade de Bento Pereira Alves. No segundo semestre daquele ano deram início ao ano letivo.


Rua 7 de Setembro por volta de 1916 - Fototeca Museu Municipal

O programa de ensino da escola era de 10 anos, com garantia de sólida educação moral e formação intelectual. As meninas poderiam ser matriculadas como internas, semi-internas e externas e, além das matérias formais da época, receberiam lições de francês, alemão e espanhol, bordado, costura e música instrumental e vocal. Para uma escola de orientação católica, o interessante era que as aulas de doutrina cristã eram facultativas.


Logomarca atual da Companhia de Maria

Enquanto as aulas transcorriam no endereço provisório, as irmãs, sob a liderança da diretora Madre Maria Dolores Rosas Sanmiguel, providenciavam a construção de um grande prédio empreitado pelo engenheiro-arquiteto Emílio Bonnet.

A pedra fundamental do edifício foi lançada em 13 de janeiro de 1918, com grande assistência e sofisticado cerimonial. O jornal O Commercio, em data de 16 de janeiro, diz o seguinte:

Às 18h30, já estando reunido, no Bairro Rio Branco, grande número de exmas. famílias e cavalheiros, chegou uma banda musical, vindo também, na mesma ocasião, membros da Irmandade Conjunta e da Irmandade do Rosário devidamente uniformizados.
Depois de ter a banda musical tocado algumas peças, foram acesas, às 18h45, as velas para o ato, segurando-as e servindo assim de paraninfos o Dr. Balthazar de Bem e a exma. Sra. D. Maria Manoela Pereira da Cunha.
Em seguida, o revmo. padre Luiz Scortegagna, vigário da paróquia, procedeu à bênção solene da pedra, auxiliado pelo diácono Armando Teixeira.

A matéria do jornal cita o discurso proferido por Antônio Antunes de Araújo, em nome da diretora, e detalha o lançamento da pedra fundamental:

Dr. Antônio Antunes de Araújo - lápide no Cemitério das Irmandades

Às 18h55 o Dr. Balthazar de Bem deitou, no vácuo destinado à pedra, a qual tinha o volume de cerca de ¼ metro cúbico, a primeira colher de argamassa, e ato contínuo os operários Pedro Faria e João Garcia, sob as ordens do engenheiro-construtor Dr. Emilio Bonnet, rolaram a pedra benzida ao lugar destinado, situado no ângulo esquerdo, à frente do edifício.
Na parte superior da pedra estava preparado um vácuo, onde foi depositada uma latinha de folha de flandres, contendo moedas da época atual, sendo também colocado um exemplar do Mignon e outro d’O Commercio na referida cavidade.

O jornal conclui a matéria parabenizando a Madre Maria Dolores pela numerosa assistência ao ato solene.

O fato é que a construção, que parecia ser vultosa, esbarrou na carência de recursos das irmãs. Em meados de 1918, diante da quase paralisação, a cidade, que se ressentia de um internato para meninas, tentou apoiar as empreendedoras. Formou-se, para o fim de angariar donativos, uma comissão de senhoras que organizou um “bando precatório”. Mesmo com as dificuldades e ainda estando as obras inconclusas, o Instituto já funcionava no prédio do Bairro Rio Branco. Para arrecadação de recursos, as freiras noticiavam aceitar encomendas de pintura a óleo, aquarela, do tipo Zip, bordados em enxovais de noivas, ornamentos, etc.

E eis que em 1919, sem maiores explicações, a imprensa divulga uma grande nota intitulada Declaração necessária, em que Irmã Margarida Ross revela ter sido comunicada pelo bispo diocesano que deveria fechar a escola e se retirar para a Espanha, de onde era oriunda, com as demais irmãs.

Eis a nota publicada n’O Commercio de 30 de abril de 1919:

Declaração necessária. Manda-me o Exmo. e Revmo. Bispo Diocesano declarar a todos a quem interessar possa que o Instituto do S. Coração de Jesus, fundado na cidade de Cachoeira, deste Bispado, pelas Monjas da Companhia de Maria, três em número, e das quais era Superiora a Revda. Madre Maria Dolores Rosas, extinguiu-se, de pleno direito, desde dezembro do ano próximo findo, data em que as ditas religiosas foram convidadas a recolher-se ao seu Convento, em Solsona, Espanha. Não se iludam os interessados e o público com anúncios e outros escritos que ultimamente se tem publicado em jornais daquela cidade. A signatária que ora se firma – Irmã Margarida, ora Irmã Margarida Ross, não pode mais, com verdade, alegar direitos que só à comunidade pertenciam, comunidade da qual infelizmente se desligou por ato de escandalosa e notória desobediência e rebelião contra os seus legítimos superiores. Santa Maria, 22 de abril de 1919.

A esta declaração, que parece ter sido feita à revelia da religiosa, sucedeu-se um a pedido da Irmã Margarida:

A pedido. A declaração necessária. Provavelmente a pedido do Rev. Vigário desta Paróquia foi estampada na última edição desta folha, como extraída do Boletim Diocesano, uma "declaração necessária" em que se me atribui o papel de intrujona e um ato de "escandalosa e notória desobediência e rebelião contra meus legítimos superiores". A dureza das expressões e os vexatórios conceitos dessa publicação impõem-me o dever da defesa. Com a possível concisão, vou, pois, relatar os fatos que, até aqui, constituem a história da fundação do Instituto do S. C. de Jesus, nesta cidade, dos quais resultou a minha atitude, agora tão asperamente condenada. Em 1916 aqui cheguei em companhia da Rev. Madre Dolores, procedente de uma casa da nossa Ordem, na República Argentina, onde, desde a nossa chegada de Espanha, trabalhamos cerca de três anos em dois dos nossos colégios, e de onde trouxemos algumas economias. Logo em seguida, começamos a trabalhar estabelecendo aulas com o prestante concurso de distintas e piedosas moças desta cidade, tais como as Srtas. Zeca Fialho, Cecília Vargas, Mimosa Porto Fontoura, Lucilia Porciúncula e outras, cujos nomes e cujas intenções religiosas manda a gratidão e a justiça que se recordem. Animadas por tão bom acolhimento e por uma coleta de 3:600$ anteriormente feita, destinada ao primeiro colégio de irmãs que aqui se fundasse, cogitamos para logo da fundação do Instituto do S. C. de Jesus, confeccionando os respectivos estatutos que, devidamente legalizados, foram registrados, adquirindo a nossa associação personalidade jurídica, e, cuja então diretora Rev. Madre Dolores Rosas, empreendeu, em seguida, a construção do prédio hoje existente no Bairro Rio Branco, empreitando-o por 30 contos, com um engenheiro-construtor, consagrando o respectivo contrato a cláusula de concluí-lo em março de 1918. Infelizmente, por diversas circunstâncias que agora não vem muito ao caso, o referido empreiteiro, mesmo fora daquele prazo, não deu o edifício concluído apesar de já ter recebido, para esse fim, entre prestações adiantadas e fornecimento de materiais e outros concursos, o valor de mais de 30 contos. Entretanto, em novembro do ano passado, o governo municipal nos ordenou o fechamento das aulas, assim como todas as da cidade foram obrigadas a fechar devido à gripe. Após vieram as férias. Lutando com as dificuldades da construção e com as provenientes de suspensão das nossas aulas, preparávamo-nos para reabri-las no começo deste ano no edifício próprio quando a Rev. Madre diretora, instada pelo Rev. Padre Luiz, teve de ir a Santa Maria entender-se com o bispo diocesano. Ali chegada, foi ela surpreendida com a seguinte ordem de S. Excia. Rev.: retirar-se sem perda de tempo, antes do fim do mês, com as Irmãs do Instituto para a Espanha ou Argentina, transmitindo ela, legalmente, ao Rev. Pe. Luiz o patrimônio do mesmo Instituto e assumindo a Diocese a responsabilidade das dívidas orçadas, então, em uns sete contos. O motivo era, disse-lhe S. Excia., ter recebido carta de Salsona da qual se inferia não poderem vir irmãs para o Instituto de Cachoeira. A Madre Dolores, de regresso, bem que muito decepcionada, tratou de fazer a transmissão ordenada, mas quando pô-la em prática defrontou com a impossibilidade oposta pela lei civil reguladora das instituições desta natureza; isto é, o Instituto não se extinguira legalmente de modo a poder passar o seu patrimônio ao domínio da Mitra Diocesana, segundo o modo previsto nos estatutos. Tudo isso foi comunicado ao Monsenhor que, em resposta às rogativas da Rev. Madre e outros ilustres cidadãos de Cachoeira, opôs sempre a mais severa inflexibilidade. Não podendo cumprir a ordem e, também por isso, não podendo obter recursos para a viagem das três irmãs, a Madre não sabia que fazer. Não podia ficar porque passava por desobediência. Não podia ir porque não tinha recursos. Em vista dessa indecisão, S. Excia. Sr. Bispo baixou um decreto marcando o prazo improrrogável de 30 dias para a Madre e suas duas irmãs abandonarem esta cidade, recolhendo-se a qualquer convento, fora da Diocese, por ter, dizia o decreto, fracassado o Instituto em vista de não poderem vir mais irmãs. Esse prazo foi, porém, prorrogado por duas vezes diante das circunstâncias fortuitas acima referidas: não poder transmitir o patrimônio e não haver, por isso, recursos para o nosso transporte. Diante de tal emergência, S.E. Rev. autorizou a Madre a vender o edifício, abrindo mão do seu direito ao patrimônio. A lei, entretanto, vedava à Madre a venda, visto como os estatutos não lhe davam poderes para isso, nem mesmo o de gravar os bens do Instituto. Mas ainda assim a constante pressão sobre ela exercida obrigou-a a praticar uma ilegalidade, vendendo, em leilão público, todo o mobiliário, utensílios do Instituto. Com o produto dessa venda é que ela pôde retirar-se, deixando à provável execução dos credores somente o edifício. Resumidamente é esta a história da nossa fundação. Resta-me agora dizer as razões porque fiquei, persistindo no objetivo de completar o edifício do S. C. de Jesus, resgatando-o das dívidas. Embora me atingisse o decreto da expulsão, com ele não me conformei. Primeiro, porque o motivo nele alegado de não nos quererem mandar mais irmãs, era a esse tempo e ainda agora o é, contrariado por cartas das nossas casas da Argentina e Espanha, manifestando desejos de virem boas professoras o que já teriam feito se a Diocese o permitisse. Forçoso seria concluir que outra seria a causa e não essa. Mas qual? Naturalmente um motivo vexatório para nós, que a munificência de S. E. Rev. aprouve ocultar sob aquele. (...) Muito me pesa ser obrigada a trazer a público este assunto, pois aqui ficando e dedicando-me exclusivamente ao serviço do Instituto, através de todas as dificuldades, tinha esperança de que o Sr. Bispo, a cuja respeitável autoridade muito desejo abrigar-me, melhor informado modificaria por fim a sua atitude em relação ao Instituto de Cachoeira. Cachoeira, 1.º de maio de 1919. Irmã Margarida Ross.” (O Comércio, 7/5/1919, p. 2).

Seis anos depois, a Intendência Municipal publicou um edital de concorrência pública para venda do terreno** no Bairro Rio Branco, Rua Comendador Fontoura, onde estava construído um prédio de alvenaria de tijolos, de dois andares, não terminado... O único proponente, Dr. Alfredo Papay, foi o adquirente pelo valor de 35:000$000.

O que teria acontecido? Que crime as irmãs cometeram? Que desaforo fizeram ao Pe. Luiz Scortegagna? As brumas do tempo ainda não trouxeram a resposta.

Pe. Luiz Scortegagna - Fototeca Museu Municipa

*A chegada das irmãs da Companhia de Maria em Cachoeira parece ter sido uma pioneira tentativa de estabelecimento no país. Somente em 1936 a congregação chegou oficialmente ao Brasil, com dois grupos de irmãs. O primeiro estabeleceu-se no interior de São Paulo e o segundo no Rio de Janeiro, onde mantém escolas até nossos dias.
**O Instituto Sagrado Coração de Jesus ocupava o terreno onde hoje está um edifício residencial.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O octogenário Cine-Teatro Coliseu

Muitos querem que ele sucumba, desapareça com seu aspecto de abandono e dê lugar a qualquer coisa sem história, sem forma, sem graça. Outros lutam para manter a sua memória, dando valor à fachada art-decó que foi a sensação da cidade a partir daquele 17 de fevereiro de 1938, quando suas portas se abriram para que o público embevecido assistisse ao filme inaugural São Francisco - a cidade do pecado.

Inauguração do Cine-Teatro Coliseu - 17/2/1938
O prefeito Reinaldo Roesch descerrando a fita inaugural do Cine-Teatro Coliseu
- Fototeca Museu Municipal
Letreiro - Foto Renato F. Thomsen

80 anos se passaram desde aquele dia. Muitas glórias o Cine-Teatro Coliseu viveu e muitos papéis desempenhou na vida de Cachoeira, excedendo o de simples casa de exibições cinematográficas para ser palco de peças teatrais, de conferências, audições musicais, de formaturas e discursos políticos. Sem contar o quanto povoa o imaginário das gerações que tiveram oportunidade de disputar suas poltronas nas sucessivas sessões ofertadas.

Hoje a discussão paira sobre o pouco que sobrou de sua estrutura magnífica e os incômodos advindos de uma edificação abandonada, o que representa simplificação da sua importância e minimização do valor de sua presença na paisagem urbana.

Fachada art-decó - Foto Renato F. Thomsen

Neste fevereiro de 2018, quando o Cine-Teatro Coliseu atingiu seus 80 anos de inauguração, vale ressaltar que este outrora luxuoso palco de espetáculos poderá ter vários e diversos usos, já tendo sido tema de trabalhos acadêmicos de arquitetura que sonharam para ele dignidade e inserção na vida da comunidade. 

O velho cinema espera pela redenção de sua existência e se hoje ostenta triste figura, certamente é porque os responsáveis por sua estrutura só o tiveram em conta quando por suas bilheterias soavam moedas em profusão, pagamento justo daqueles que buscavam no seu escuro salão as lindas luzes da ribalta.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Das pipas às torneiras

No verão, quando o calor nos assola, lembramos o quanto abrir uma torneira é bom! Este simples e corriqueiro ato, quase automático, desperta nada além da instantânea sensação de vermos escorrer a água para atendimento da necessidade premente...

Mas há 100 anos este conforto era sequer cogitado. A água chegava às casas através de poços abertos nos pátios das casas que contavam com algum veio d’água e para os demais através do serviço dos pipeiros, aguadeiros, ou vendedores de água.

Aguadeiro em Porto Alegre - ronaldofotografia.blogspot.com.br

Esse serviço tinha seu preço – e seus inconvenientes. O consumidor precisava ter claro o quanto necessitaria do precioso líquido para não ser pego de surpresa e ficar sem o suficiente para o consumo; precisava também de vasilhas para acondicioná-lo. Talvez venha daí o hábito das casas terem talhas de barro com tampas, que havia de vários tamanhos. Aos que tinham poços a tarefa era de encher todas as talhas da casa ao anoitecer. Aos que dependiam do pipeiro, necessário era ter o dinheiro disponível para mais um pedido.

Talhas - poesiadomeujeito.blogspot.com.br

Logicamente que água estocada era artigo de luxo. E seu uso precisava ser comedido. Banhos não podiam ser tomados a toda hora; célebres são as memórias dos mais antigos que contam que os banhos “gerais”, ou seja, do corpo todo e cabeça, só às quartas e sábados – para os mais esbanjadores. Normalmente o dono da casa, ao chegar do trabalho, lavava os pés, para os quais havia até toalha especial, em tamanho intermediário entre a toalha de rosto – que normalmente ficava junto ao jarro e à bacia no quarto – e a de banho. Estas toalhas eram de linho ou algodão; sendo que as famílias mais abastadas costumavam adorná-las com bordados e franjas – tarefa das moças casadoiras.

Mas voltemos ao serviço dos pipeiros. Em 26 de dezembro de 1917, o jornal O Commercio publicou uma reclamação geral de abuso dos pipeiros:

Quinta-feira última foi preso correcionalmente o preto Horacio dos Santos, prisão feita à ordem do Sr. João Antonio da Motta, atualmente no exercício do cargo de subintendente, por ter encontrado o referido pipeiro em flagrante delito de negar água a consumidores que a pediam e de ter exigido preço exagerado em uma casa que resolveu atender.
Há longos anos, todos os verões, a nossa população é submetida ao suplício de pedir água por favor e de aturar as impertinências da maioria dos pipeiros, que negam-se a fornecer água a quem não é freguês.
Acontecesse o fato do fornecedor não aparecer um ou dois dias, porque lhe adoecesse ou fugisse um burro, ficavam os fregueses na falta do precioso líquido, que tinham que sair a pedir na vizinhança, em doses homeopáticas, por não lhe fornecerem os outros pipeiros.
Presenciado tal abuso, achamos que a autoridade procedeu bem em aplicar-lhe um corretivo.
O Sr. João Motta mandou, em seguida, chamar todos os pipeiros no edifício da subintendência, tomando-lhes os nomes e os números das suas pipas e intimando-os a atenderem a todas as casas que lhes pedirem água.
Sob pena de multa, de prisão correcional e de lhes ser cassada a licença de vender água, na reincidência, todos os pipeiros são obrigados a dar de 1 a 4 barris em cada casa que exigir o líquido, podendo pedir 100 réis por barril, em vez de 50.

Além da medida de contenção do abuso, a notícia permite que se tenha ideia de onde a água era recolhida, sendo principalmente em fontes – de que a cidade era pródiga.

E segue o que O Commercio registrou:

Embora tenha havido seca, que diminuiu as águas da Fonte do Mato e da fonte do Sr. Antonio Ribeiro*, ainda temos vários mananciais d’água a leste da cidade, a rumo do arroio Amorim, que podem ser explorados.
Ultimamente, muitos pipeiros tiram água de duas fontes existentes na chácara do nosso amigo Virgilio de Abreu, situada a oeste da cidade e arrendada ao Sr. José Daniel de Magalhães.
Já se vê que não é por absoluta falta d’água que os pipeiros deixam de atender à população e sim por falta de boa vontade, aliás manifestada em verões anteriores, em que tem havido maior abundância do indispensável líquido.
Quem pedir água e não for atendido, tem, pois, o recurso de tomar o número da pipa e denunciar o condutor à autoridade administrativa, que está animada do melhor empenho de acabar com semelhante abuso, impróprio de existir numa cidade populosa e adiantada, como a nossa.

Virgílio de Abreu e família - Acervo familiar

Depois desta história, certamente pensaremos o quanto o gesto simplório de abrir uma torneira nos facilita a vida, mas também nos leva ao desperdício do cada vez mais precioso líquido!

*Antônio Ribeiro: português que fez fortuna com a venda de água em Cachoeira.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Augusta ou Augusto?

A surpresa que causou a muita gente a denominação da Rua Major OURIQUE, sem o “s” final, e que inclusive consta grafada com erro nas placas, nos remete a outros casos semelhantes que há na nomenclatura urbana, como por exemplo a Rua Henrique Möller, que alguns insistem em chamar erroneamente de Henrique Müller. Mas talvez o caso mais sério de troca seja o do Bairro Augusta, em que o gênero do homenageado não corresponde à pessoa que determinou a denominação.

Longe de ser uma mulher, o patrono daquele bairro é Augusto Ristow, natural de Candelária, filho de Carlos Ristow e Margarida Heinrich Ristow, nascido no dia 13 de maio de 1872.

Augusto com os pais e irmãos - acervo da famíia

Augusto casou com Matilde Zillmer e o casal teve os filhos Alfredo, nascido em Rio Pardo no dia 12 de julho de 1896, e Helma, natural de Candelária e nascida em 26 de agosto de 1898.

Augusto e Matilde Ristow - acervo da família

Em 1913, Augusto adquiriu um corte de chácara localizado no 1.º distrito de Cachoeira, lugar denominado Alto do Amorim, de mil setecentos e sessenta metros quadrados.  Agricultor de profissão, dedicou-se a cultivar flores, verduras e à produção leiteira na área que foi depois se expandindo.

Em novembro de 1942, quando contava 72 anos, Augusto Ristow cometeu suicídio. Seu genro, Guilherme João Afonso Stratmann, montou um armazém no local e abastecia as famílias da redondeza. Depois que S. Afonso, como era conhecido, faleceu, a filha Zilda organizou uma vila, loteando e vendendo terrenos. Nascia a Vila Augusto.

Mas como a VILA AUGUSTO virou Vila AUGUSTA e hoje é conhecida como BAIRRO AUGUSTA? A explicação talvez esteja em um erro de grafia no documento que licenciava a vila, emitido em março de 1957 pela Prefeitura Municipal, a despeito de outros documentos de venda de terrenos registrarem corretamente a Vila Augusto.

Alvará de licença para localização - 1957
- acervo da família

O fato é que a homenagem que a família Ristow queria prestar ao patriarca Augusto acabou sendo desvirtuada por um erro de grafia que pode ter sido reforçado pela facilidade de concordância de gênero com a palavra vila. Mais tarde, com legislação municipal que determinou a substituição do termo vila por bairro, o provável desconhecimento do nome do homenageado não promoveu a correção.

Que fique aqui o registro: ainda que o uso tenha consagrado o bairro com o nome de Augusta, a justiça impõe que se diga – Bairro Augusto!

Nota: esta postagem é dedicada à professora Maria Inês Vanti Marques, bisneta de Augusto Ristow, que me permitiu conhecer e contar esta história. 

domingo, 7 de janeiro de 2018

De volta ao passado - janeiro de 1918

Em janeiro de 1918, como é praxe ainda hoje, as páginas dos jornais estampavam mensagens de ano bom. Vários e conhecidos cidadãos e empresas cumprimentavam amigos e fregueses e, de quebra, faziam merchandising pessoal ou profissional, como Ernesto Pertille e família; Germano Prehn e esposa; O Pavilhão Recreio, de José Kern; Pedro Stringuini e família; A Agência Comercial, de Germano Drews; Affonso Vieira da Cunha e esposa; Franz Rother & família; o casal Brandão; Francisco Alves Duarte; Carlos Keil e família; Antonio Cauduro; A Casa do Povo, de Carlos Keil; Frederico G. Richter e família; dentista Oscar Wild, Rua Sete de Setembro, 177; Gasosa, limonada, águas minerais e a bebida Dianna, sem álcool, de Engelberth Gottwald, Travessa 24 de Maio; Hans von Hof, engenheiro civil, oferecia serviços de agrimensura, Rua 1º de Março, 19; Dr. Scopel, clínica na Farmácia Popular; Fábrica de Beldosas-Mosaicos, de Fernando Rodrigues, Rua Saldanha Marinho, 70; Dr. Milan Kras; Pavilhão Recreio “especial salada de frutas todos os dias”, Rua Sete de Setembro; A Cervejaria Moderna, de Augusto Trommer, cervejas tipo pilsen (clara), tipo münchen (escura), chope em barris; Fábrica de Sabão, de Engelberth Gottwald, Travessa 24 de Maio; Germano Preussler & Cia., revenda Ford, Rua Sete de Setembro, 128; Ernesto Barros, advogado; Mario Godoy Ilha, advogado; Grande Fundição e Fábrica de Máquinas Treptow; Banco Pelotense.



Residência e consultório do dentista Oscar Wild (segunda casa)
- Fototeca Museu Municipal


Mensagem dos Brandão (Augusto e Cândida) - O Commercio, 1/1/1918, p. 2
- Acervo de Imprensa do Arquivo Histórico

A tipografia d’O Commercio também propagandeava que tinha postais de felicitações: “Para o ano novo e Reis idem de figuras com lindos coloridos, ditos humorísticos, recebeu grande sortimento...”

Cartão natalino - Coleção Família Ernesto Müller

Na Igreja Matriz a novidade era o presépio que causou agradável surpresa aos fieis, cujas “estátuas de 85 cm foram confeccionadas no Instituto de Arte Cristã de Porto Alegre.”

O maestro Miguel Iponema havia oferecido à redação do jornal um exemplar impresso contendo a letra e a partitura da Canção Patriótica do Tiro nº 254, cuja música, para piano, era de sua autoria e a letra do capitão Manoel de Faria Corrêa.

Miguel Iponema e sua Banda Musical Estrela Cachoeirense
- Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato

Para o público masculino o jornal anunciava a inauguração, na véspera do Natal de 1917, de um novo centro de diversões, o Eden-Club, já “tendo contratado várias artistas cantoras”.

Mesmo que o tempo tenha consumido todos os protagonistas da primeira edição d’O Commercio de 1918, graças à preservação de sua coleção,  no Arquivo Histórico, e do cuidado de muitas pessoas que guardaram documentos e fotografias, é possível materializar o que há muito virou pó!